Daniel André Stieler renuncia à presidência do conselho da Vale
Saída ocorre após pressão da Previ, que havia pedido a destituição de Stieler no mês passado
Por Nicola Pamplona/Folhapress
06/07/2026 às 20:45
Foto: Laís Pelaes/Divulgação Vale/Arquivo
Daniel André Stieler renunciou aos cargos de membro e de presidente do conselho de administração da Vale
A Vale informou nesta segunda-feira (6) que Daniel André Stieler renunciou aos cargos de membro e de presidente do conselho de administração da companhia. Ele era alvo de pressão da Previ, a fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.
Em fato relevante enviado ao mercado nesta segunda, o conselho da Vale agradeceu Stieler pela "liderança, dedicação e contribuições", especialmente como presidente do conselho. "Sua atuação foi essencial para o fortalecimento da governança corporativa, o aprimoramento contínuo dos trabalhos do colegiado e a tomada de decisões estratégicas", diz o comunicado.
O conselho da Vale será chamado a eleger um presidente interino até o dia 22, já que o regimento interno não indica substituto automático.
apurou que a saída de Stieler é resultado de um acordo para evitar desgaste sobre a imagem da companhia, que teve um conturbado processo sucessório em 2024, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou emplacar o ministro Guido Mantega no comando da mineradora.
A troca na presidência do conselho da Vale seria definida em assembleia no dia 22 de julho, agendada a pedido da Previ, acionista relevante da mineradora, que anunciou em junho a intenção de substituir o executivo no colegiado.
A fundação alega que quer ampliar a independência no conselho da Vale e, por isso, indicou à presidência o português Manuel Lino Oliveira, conhecido com Ollie e hoje o líder dos conselheiros independentes da mineradora.
Stieler resistiu e, ainda no mês passado, disse que a ofensiva da Previ sobre seu cargo atropelava ritos internos e enfraquecia a governança da Vale. À época, ele também acusou a fundação de abusar de seu poder de voto para provocar a mudança no conselho.
A própria Previ elegeu Stieler para o conselho da Vale, mas ele recusou o pedido para deixar o cargo antecipadamente —seu mandato venceria em 2027. Seus aliados dizem que o pedido da Previ teria motivação política, o que a fundação negou.
A fundação que gere a previdência dos funcionários do Banco do Brasil é a maior acionista individual da Vale, com 7,02% das ações. Além de indicar Ollie para a presidência, indicou José Maurício Coelho para ocupar a cadeira que ficará vaga com a saída de Stieler.
A destituição do presidente havia sido rejeitada pelo conselho, que propôs aos acionistas voto contrário à proposta da Previ, sob o argumento de que houve "notória evolução" na governança da companhia nos últimos anos, além de aprimoramentos na atuação estratégica.
Os acionistas também recomendaram a rejeição de indicados da Previ para a vaga de Stieler, caso ele fosse destituído. Indicou a engenheira Ieda Gomes para a cadeira de Stieler. O atual vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, se lançou candidato à presidência.
A decisão final é dos acionistas. Além da Previ, a Vale tem como acionistas relevantes a japonesa Mitsui (6,45%) e as gestoras de investimentos Blackrock (6,71%) e Capital World Investors (5,13%). O restante do capital está pulverizado no mercado.
