Caixa vai pagar mais de R$ 13 bilhões de lucro do FGTS a trabalhadores
Por Cristiane Gercina, Folhapress
28/07/2026 às 13:19
Foto: Agência brasil/Arquivo
Depósito é feito a quem tinha saldo na conta do Fundo de Garantia em 31 de dezembro de 2025
A Caixa Econômica Federal vai distribuir R$ 13,042 bilhões de lucro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) a 138,2 milhões de trabalhadores. O montante, que corresponde a 89% do resultado do fundo em 2025, foi aprovado em reunião do Conselho Curador do FGTS nesta terça-feira (28).
Em 2025, o Fundo de Garantia teve lucro de R$ 14,7 bilhões. Serão beneficiados trabalhadores com saldo na conta do FGTS em 31 de dezembro do ano passado. Um trabalhador pode ter mais de uma conta.
Com a distribuição, a rentabilidade ficará em 6,90%, 2,53 pontos percentuais acima da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2025, que foi de 4,26%, e vai cumprir decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) na ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 5.090.
O crédito equivale a acréscimo de 1,87% no rendimento de cada conta. O FGTS rende 3% ao ano mais TR (Taxa Referencial), que ficou em 1,97% em 2025. O cálculo do rendimento foi considerado constitucional pelo Supremo, mas o trabalhador não pode receber menos do que o IPCA.
Em 2025, foi realizada a maior arrecadação da história do FGTS, de R$ 212 bilhões. O número de saques com a rotatividade de trabalhadores houve aumento de 18% no número de saques em relação a 2024.
Por lei, os valores são depositados nas contas vinculadas até o dia 31 de agosto, mas a Caixa deve antecipar o pagamento para a próxima semana, segundo fontes informaram à Folha. O banco público é o gestor do fundo, cujo controlador é o conselho.
Quando os valores foram creditados, no extrato do FGTS aparecerá a informação "AC CRED DIST RESULTADO ANO BASE 12/XXXX (aqui será informado o ano a que se refere o pagamento)".
O percentual a ser distribuído foi motivo de debate da reunião, que durou mais de duas horas. O conselheiro Abelardo Campoy Diaz, da CNC (confederação de comércio e serviços) defendeu que, nos próximos anos, o percentual distribuído seja reduzido para preservar a sustentabilidade do fundo e garantir reservas para cumprir a decisão do STF que garante remuneração mínima equivalente ao IPCA.
Segundo ele, como a maioria das contas pertence a trabalhadores de menor renda e com saldos reduzidos, uma distribuição muito elevada acaba favorecendo contas com valores maiores.
Representantes da bancada dos trabalhadores chegaram a pedir o arredondamento da distribuição para 90% do lucro, sob o argumento de que o impacto sobre o patrimônio do FGTS seria pequeno. A sugestão foi de José Pereira Belém Filho, da Força Sindical. Com isso, seriam distribuídos R$ 13,2 bi, mas foram voto vencido e eles próprios acabaram votando nos 89%.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que preside o conselho, defendeu a manutenção dos 89%, afirmando que o percentual já assegura rendimento acima da inflação e permite formar um "colchão de proteção" para anos em que a rentabilidade do FGTS fique abaixo do IPCA.
"Queria pedir que a gente mantivesse os 89%, a distribuição, que dá uma taxa de 6,90%, um valor bastante significativo", disse.
A distribuição de lucro do FGTS é feita desde 2017 (referente ao ano de 2016). Em 2024, foram distribuídos R$ 15,2 bilhões. O valor representou 65% do lucro total obtido em 2023, de R$ 23,4 bilhões. O valor em real foi o maior já pago desde 2017. O maior percentual já distribuído foi de 99%, nos anos de 2022 e 2023.
Ao todo, a distribuição do lucro beneficiou titulares de 235 milhões de contas com saldo em 31 de dezembro de 2024. Com a distribuição, a rentabilidade do FGTS ficou em 6,05%, 1,16% acima da inflação medida pelo IPCA de 2024, de 4,83%.
