Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Alckmin diz que Milei faz intromissão grosseira no Brasil e presta desserviço à Argentina
Alckmin diz que Milei faz intromissão grosseira no Brasil e presta desserviço à Argentina
'Não deve um presidente se envolver em eleição de outro país', afirma vice de Lula
Por Guilherme W. Almeida/Folhapress
28/07/2026 às 19:25
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, criticou nesta terça (28) falas recentes do presidente da Argentina, Javier Milei, e disse que ele faz uma intromissão de "maneira grosseira" em assuntos eleitorais do Brasil.
"É lamentável que o presidente de um país vizinho, amigo, que compõe o Mercosul, preste um desserviço ao seu país", disse. "Não deve um presidente se envolver em eleição de outro país. Além de haver intromissão em assuntos internos do Brasil, fazê-lo de maneira absolutamente grosseira", completou.
Alckmin citou o Brasil como maior parceiro comercial da Argentina, afirmou que o bloco vive um ótimo momento e mencionou acordos comerciais com Singapura, União Europeia e países de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) elevado, como Suíça e Noruega.
As declarações foram dadas durante a roda de negociação Brasil-Coreia, evento organizado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e pela FKI (Federação de Indústrias Coreanas), onde esteve presente Lee Jae Myung, presidente da Coreia do Sul.
No último sábado (25), ao participar da convenção partidária do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, Milei fez um discurso no qual se referiu ao presidente Lula como ladrão e presidiário, além de ter chamado o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo careca" por não deixá-lo visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.
Milei afirmou ainda que "hoje o Brasil caminha para uma crise de dívida derivada do fato de que Lula não fez o ajuste fiscal que a situação exigia, e agora está piorando para ter chances de vencer". Acrescentou que "o esbanjamento, cedo ou tarde, se paga, e esperemos que pague aquele que o causou, perdendo nas urnas em outubro".
Na segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de palhaço e rebateu as críticas do portenho sobre a economia brasileira.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito mais alta. Então não dá para considerar, não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema", disse o chefe da pasta econômica durante entrevista por telefone à Rádio Jornal, de Pernambuco.
'Reciprocidade não é retaliação'
O enfrentamento ao tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos também foi tema da entrevista coletiva do vice-presidente. Proteger as empresas mais afetadas é, segundo ele, a prioridade do governo.
Além da proteção às companhias atingidas pelas tarifas, Alckmin citou a busca por novos mercados consumidores. O terceiro ponto da estratégia brasileira, segundo ele, é trabalhar para reverter as tarifas na mesa de negociação.
Questionado sobre a possibilidade de reciprocidade, o vice-presidente não descartou a possibilidade: "Reciprocidade não é retaliação. Como o Brasil está sendo injustiçado, vamos trabalhar para resolver isso".
