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Vorcaro priorizou recursos para 'Dark Horse' após pressão de Flávio Bolsonaro, diz site
Vorcaro priorizou recursos para 'Dark Horse' após pressão de Flávio Bolsonaro, diz site
Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil mostram que banqueiro chamou financiamento de 'Dark Horse' de 'o mais importante disparado'
Por Folhapress
02/06/2026 às 18:15
Foto: Reprodução/YouTube
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Mensagens publicadas pelo Intercept Brasil nesta terça-feira (2) revelam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deu prioridade ao financiamento do filme "Dark Horse" após pressão do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão foi tomada em meio a dificuldades de liquidez no banco e a R$ 55,5 milhões em pagamentos pendentes. Em conversa com seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel, responsável por operacionalizar desembolsos do grupo financeiro do banqueiro, Vorcaro chegou a afirmar que o projeto era "o mais importante disparado".
O site já havia revelado negociações para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e a realização de aportes milionários ao projeto. Os novos diálogos, porém, mostram como o investimento era tratado internamente pelo controlador do Banco Master.
Segundo a publicação, as conversas ocorreram em janeiro de 2025, quando Zettel concentrava a execução de pagamentos pessoais e empresariais ligados a Vorcaro. Em uma das mensagens reproduzidas pela reportagem, ele informa ao banqueiro que havia um total de R$ 55,5 milhões em desembolsos pendentes, sem especificar a moeda.
No dia 20 daquele mês, data prevista para um dos aportes ao filme, o empresário Thiago Miranda, apontado como intermediador das negociações, procurou Vorcaro para cobrar agilidade na liberação dos recursos. Na mensagem, afirma que o prazo havia chegado ao limite e que já havia tratado do assunto com Zettel.
Miranda também encaminhou ao banqueiro uma captura de tela de uma conversa atribuída a Flávio Bolsonaro. Nela, o senador pede que fosse dado "um gás" na resposta do jurídico do investidor para destravar a operação. O parlamentar menciona ainda a necessidade de avançar rapidamente porque o roteirista do projeto estaria comprometido apenas até janeiro.
Após receber a cobrança, Vorcaro respondeu que verificaria a situação. Nos dias seguintes, passou a acompanhar diretamente o andamento dos pagamentos relacionados ao filme, segundo as mensagens divulgadas pelo Intercept.
Em uma conversa com Zettel, o banqueiro questiona se o projeto estava incluído entre os desembolsos em processamento. O cunhado responde que não, afirmando que o fluxo envolvido era elevado e mencionando um cronograma de pagamentos em dólar. A referência coincide com documentos revelados anteriormente pelo site, que apontam para uma previsão de quase US$ 24 milhões em aportes ao longa, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões pela cotação da época.
A troca de mensagens mais relevante ocorre em 28 de janeiro. Vorcaro pergunta se o pagamento do filme havia sido realizado. Zettel responde que não, alegando falta de entrada de recursos nas semanas anteriores. Em seguida, informa que o projeto não fazia parte da lista de prioridades financeiras que estavam sendo executadas naquele momento. É então que Vorcaro determina a mudança de prioridade. "Esse é o mais importante disparado", escreve.
O Intercept afirma ter procurado Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro e Thiago Miranda para comentar o conteúdo das mensagens. Segundo o site, não houve resposta até a publicação da reportagem.
