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Vorcaro mandou R$ 350 mil em espécie para Ciro Nogueira em avião com Beto Louco, diz PF

Vorcaro mandou R$ 350 mil em espécie para Ciro Nogueira em avião com Beto Louco, diz PF

Por Johanns Eller, O Globo

16/06/2026 às 15:00

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Vorcaro mandou R$ 350 mil em espécie para Ciro Nogueira em avião com Beto Louco, diz PF

O senador Ciro Nogueira (PP-PI)

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mandou R$ 350 mil em espécie para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em um jato executivo que transportava o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, suspeito de manter relações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A informação consta em uma representação da Polícia Federal (PF) tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master. Os investigadores creem que o malote foi transportado em um jato Gulfstream G150 de prefiro PR-SMG da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), também na mira da Operação Carbono Oculto, que apura o esquema de fraudes no setor de combustíveis liderado por Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Os investigadores encontraram diálogos trocados entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tido como seu operador financeiro, cobrando o pagamento do valor ao senador e presidente nacional do PP em 6 de agosto de 2025, quando o Master ainda tentava vender parte de seus ativos para o Banco BRB.

“Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”, escreveu o então CEO do banco.

Zettel, então, reclama que uma transferência TED não havia chegado e detalha os valores pendentes, que incluem textualmente “Nota Ciro mais impostos 2” e “Espécie Ciro 350k”.

Vorcaro, então, afirma que fará parte das transferências naquele momento e orienta que o cunhado priorize as pendências referentes ao senador e outros gastos referentes a “galerias”.

A PF cruzou a data da conversa com o relato do piloto Mauro Caputti Mattosinho, que trabalhou até setembro do ano passado na Táxi Aéreo Piracicaba, à imprensa de que teria transportado um malote – presumivelmente com dinheiro – no mesmo dia, 6 de agosto, em um voo que tinha Beto Louco entre seus passageiros e se deslocou entre São Paulo e Brasília.

Os investigadores destacam na representação que Mattosinho declarou nas entrevistas que o empresário mencionou Ciro diversas vezes durante o trajeto, perguntando, por exemplo, se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o Ciro já estava os aguardando”.

Um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, Beto Louco está foragido e tenta há meses negociar uma delação com a Justiça brasileira. Seu último paradeiro rastreado pela PF foi a Líbia, país no norte da África.

Ainda de acordo com a PF, outras mensagens obtidas no celular de Daniel Vorcaro demonstraram que o dono do Banco Master usou o mesmo jato Gulfstream G150 em diversas ocasiões “para viagens de seus interesses”.

Para a Polícia Federal, o cruzamento das informações “indica fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa”.

Em entrevista aos sites Metrópoles, UOL e ICL em 2025, Mattosinho disse ter ouvido dos superiores na empresa que os aviões pertenciam na verdade a Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, partido que forma uma federação com o PP de Ciro Nogueira.

Como revelamos no blog em setembro passado, diversas agendas do dirigente do União coincidiram com trajetos de um jato Gulfstream G200, jato com autonomia para viagens intercontinentais que, segundo o piloto, teria sido incorporado à frota da TAP com dinheiro de um grupo “encabeçado por Rueda”.

Entre os compromissos mapeados pela equipe da coluna estava o aniversário de 50 anos do presidente do União na ilha de Mykonos, na Grécia, o Gilmarpalooza, o fórum jurídico organizado por Gilmar Mendes em Lisboa, e a Brazilian Week, em Nova York, todos no ano passado.

O dirigente partidário admitiu à equipe do blog na ocasião ter usado o avião em uma das viagens, mas não revelou qual, disse que viajou de carona e não quis revelar quem o convidou ou quem é o dono do jato. Rueda nega ser proprietário das aeronaves em nome da Táxi Aéreo Piracicaba.

O piloto Mauro Caputti Mattosinho também relatou aos investigadores da PF que transportou em diversas ocasiões tanto Beto Louco como Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos são apontados como líderes do esquema de fraudes no setor de combustíveis em conluio com o PCC no âmbito da Operação Carbono Oculto.

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