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Em dia de mais tarifas ao Brasil, Trump posta foto junto a Flávio, um 'jovem esperto que ama seu país'
Em dia de mais tarifas ao Brasil, Trump posta foto junto a Flávio, um 'jovem esperto que ama seu país'
Post foi feito uma semana após encontro com senador e após designação de PCC e CV como terroristas, principal pedido de Flávio
Por Isabella Menon/Folhapress
02/06/2026 às 17:15
Atualizado em 02/06/2026 às 17:30
Foto: Reprodução/Truth Social
Presidente dos EUA, Donald Trump, faz post e elogia Flávio Bolsonaro no Salão Oval
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um post ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma semana após o encontro com o senador na Casa Branca. "Foi muito legal ter o Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, um jovem esperto que ama seu país, o Brasil, muito".
Flávio esteve junto Trump na última terça-feira. Em entrevista a jornalistas, ele afirmou que seu principal pedido junto ao presidente americano foi a designação das facções criminosas PCC e CV como terroristas. Na quinta-feira, dois dias depois do encontro, o governo americano fez o anúncio por meio do secretário do Estado, Marco Rubio, que afirmou que as organizações são as mais perigosas do país.
Nas imagens, Flávio aparece ao lado do empresário bolsonarista Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que acompanharam as agendas em Washington. Eles também estiveram com o secretário do Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente JD Vance.
O post de Trump acontece em um momento marcado por tensão entre Washington e Brasília. Além da designação de CV e PCC como facções terroristas, algo que o governo petista trabalhava para evitar, os EUA concluíram a investigação da seção 301 e sugeriram um novo tarifaço de 25% sob produtos brasileiros.
A medida irritou Lula, que associou a decisão à visita do senador Flávio Bolsonaro, o chamou de traidor da pátria e imbecil durante agenda em Salvador, nesta terça-feira. Durante encontro entre Lula e Trump, em Washington, no início de maio, foi proposto que, diante das divergências entre os dois países em decorrência das tarifas aplicadas, fosse organizado um grupo de trabalho para resolver o impasse comercial.
A expectativa é que esse grupo trabalhasse por 30 dias e apresentasse resultados em conjunto, porém a divulgação preliminar do resultado da seção 301 aconteceu uma semana antes do prazo. Agora, o escritório também prevê uma nova audiência para o Brasil no início de julho antes da decisão final.
Apesar da estimativa já divulgada pelo USTR, cabe ao presidente Trump decidir pelas novas sanções. Além do tarifaço, o governo Trump também nomeou um novo embaixador americano para o Brasil, Daniel Perez, deputado estadual da Flórida.
Com isso, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana em Brasília é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.
Em publicações nas redes sociais, Perez costuma demonstrar alinhamento com Trump, recorrendo a expressões associadas ao movimento Maga (sigla para "faça a América grandiosa novamente") e defendendo pautas da agenda trumpista. Em janeiro, por exemplo, manifestou apoio à operação dos EUA contra o regime venezuelano de Nicolás Maduro, na qual o ditador foi deposto e capturado.
Outro membro do gabinete de Trump que decidiu falar sobre o Brasil nesta semana foi o secretário de Estado, Marco Rubio, que disse em audiência no Senado que o Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela.
Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, "com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos".
