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Câmara dos Deputados avança com projeto que aumenta penas para golpes digitais

Câmara dos Deputados avança com projeto que aumenta penas para golpes digitais

Especialista aponta que aumento da pena não coíbe delitos e que, caso entre em vigor, a fraude eletrônica passará a ter pena maior que o crime de extorsão

Por Guilherme Matos/Folhapress

11/06/2026 às 21:50

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados/Arquivo

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Comissão de Finanças e Tributação, da Câmara dos Deputados,

A Comissão de Finanças e Tributação, da Câmara dos Deputados, aprovou nesta quinta-feira, 11, Projeto de Lei (PL) que prevê o endurecimento das penas para autores de golpes digitais. Se for aprovado, o tempo de prisão para esses casos irá superar a do crime de extorsão — quando há violência ou grave ameaça à vítima.

Pelo texto, a pena para o estelionato cometido por meio de redes sociais, telefone, e-mail ou meios digitais passa de quatro a oito anos para seis a dez anos de reclusão, além de multa. A punição pode aumentar em um terço se o crime for praticado por organização criminosa ou estrutura profissionalizada.

O projeto também autoriza a prisão preventiva nos casos em que o golpe resultar em prejuízo superior a 100 salários mínimos ou quando houver risco concreto de fuga do acusado. O juiz poderá ainda determinar, de forma cautelar, o bloqueio de contas bancárias e de criptoativos, a indisponibilidade de bens imóveis, a proibição de contato com vítimas e testemunhas e a restrição de acesso a redes sociais e sistemas de pagamento digital.

Fora o endurecimento da pena, a lei não trará mudanças e nem coibirá os crimes segundo o Fabrício Reis Costa, mestre e doutorando em Direito Penal pela Faculdade de Direito da USP e advogado criminalista. “O sequestro cautelar de bens já está previsto no Código de Processo Penal”, afirma.

Segundo ele, o os golpes digitais são mais atrativo por conta da facilidade de executá-los e não pelo tamanho da pena. Sendo assim, o endurecimento teria pouco efeito em frear a escalada de crimes do tipo no Brasil.

O mais correto, diz o especialista, é aplicar o mesmo raciocínio que reduziu a quantidade de assaltos a banco no Brasil: a implementação de portas giratórias, vidros blindados e seguranças armados. Ou seja, aumentar as barreiras antes do crime ocorrer.

“A solução é muito mais a prevenção ao delito do que a punição”, afirma. Para o especialista, em ano eleitoral, as propostas de endurecimento penal funcionam como resposta simbólica à demanda da sociedade por punição, sem resolver o problema.

O projeto segue agora para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). O texto ainda está sujeito à apreciação do Plenário e, para virar lei, precisará ser aprovado pela Câmara e pelo Senado. O relator do projeto é deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) e a autoria é do deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO).

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