Braskem recebe proteção judicial de 60 dias para renegociar dívidas
Credores rejeitaram primeira proposta de reestruturação apresentada nesta semana pela empresa
Por Nicola Pamplona/Folhapress
26/06/2026 às 19:00
Foto: Divulgação/Arquivo
Petroquímica Braskem
A petroquímica Braskem obteve nesta sexta-feira (26) proteção judicial contra credores pelo prazo de 60 dias. O pedido à Justiça havia sido feito nesta semana, como parte de um plano de reestruturação financeira que ainda não convenceu os maiores credores.
A proteção foi dada pela Segunda Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Garante a "suspensão de todas as execuções e constrições por credores que tenham sido convidados a participar da mediação instaurada pela companhia".
O processo de mediação foi iniciado nesta semana, com a apresentação de uma proposta de renegociação de dívidas, considerada "totalmente insatisfatória" pelos credores. Com a proteção judicial, a empresa ganha mais tempo para as tratativas.
A proteção tem escopo limitado, segundo comunicado da Braskem: não abrange obrigações com fornecedores, clientes e demais partes interessadas, limitando-se apenas a execuções de dívidas financeiras.
Sexta maior petroquímica do mundo, a Braskem sofre com elevado endividamento provocado pela combinação de anos de baixos preços das matérias-primas petroquímicas e elevados juros, além dos gastos para remediar danos da tragédia de Maceió.
Ao fim de 2025, sua dívida correspondia a quase 15 vezes seu Ebitda, indicador que mede a geração de caixa. O índice está acima de limites considerados saudáveis pelo mercado.
A renegociação com credores foi iniciada após a chegada da gestora de recursos IG4, especialista em reestruturação de empresas, que comprou as ações da Novonor (ex-Odebrecht), tornando-se a sócia estratégica da Petrobras na Braskem.
No início de junho, a nova sócia elegeu seus representantes no conselho de administração e na diretoria da empresa. Nesta semana, o plano de reestruturação foi apresentado formalmente ao mercado, mas rejeitado.
Em linhas gerais, o plano propunha a extensão de prazo para pagamento e a redução de juros das dívidas, além da criação de uma nova linha de crédito de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) para garantir a operação da companhia.
Na apresentação aos investidores, a Braskem estimou que, no cenário atual, seu caixa dura apenas até o fim do ano. Ao fim de 2026, estaria negativo em US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões). Se conseguir reduzir o custo com juros, afirmou, começa 2027 com caixa de US$ 1,6 bilhão.
Após a rejeição da proposta, a empresa disse que "segue totalmente comprometida em continuar as discussões com seus credores financeiros em busca de solução consensual, estruturante e ordenada para sua estrutura de capital, garantindo a continuidade das operações".
