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Sem citar Flávio, Caiado diz que quem está contaminado por Vorcaro não pode ser presidente
Sem citar Flávio, Caiado diz que quem está contaminado por Vorcaro não pode ser presidente
Por Marcos Hermanson, Folhapress
20/05/2026 às 13:17
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Arquivo
Presidenciável afirma que não faz referência indireta: 'Isso cabe a todos que venham a disputar a Presidência'
Em meio ao caso Dark Horse, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) citou nesta quarta-feira (20) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e disse que "a pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência da República".
"[Vemos] Vorcaro contaminando todos os poderes. E nós estamos vivendo essa desordem institucional do poder hoje", afirmou Caiado na Marcha dos Prefeitos, que é organizada pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios).
Na última quarta-feira (13), o Intercept Brasil revelou áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra o pagamento de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia simpática ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio admitiu ter tratado com o banqueiro, mas classificou a negociação como parte de uma relação de investimento privado, sem qualquer promessa de contrapartida. Nesta terça-feira (19), o senador admitiu ter encontrado pessoalmente o banqueiro no final de 2025, em São Paulo, quando Vorcaro já estava preso em regime de prisão domiciliar, acusado de fraude financeira e de outros crimes, para botar "um ponto final" na relação entre os dois.
Em coletiva de imprensa mais tarde na própria quarta-feira (20), Caiado negou que fizesse referência indireta ao senador em sua fala no evento. "Eu nunca falei nada de forma indireta na minha vida. Cada um tem o direito de se explicar sobre as acusações que pesam sobre ele", disse.
"[O que falei] é que isso são condicionantes para o exercício da função de presidente. Quando você apresenta uma condição que não dá a você a condição do exemplo, da correção de rumos, o Brasil continuará da maneira como ele está. Isso cabe a todos que venham a disputar a Presidência", disse o pré-candidato.
Caiado evitou se posicionar sobre o fim da escala 6x1, tema que está a todo vapor no Congresso Nacional, mas disse que a pauta caminha para ser aprovada com apoio quase unânime.
O ex-governador defendeu um modelo em que o trabalhador e o patrão negociam o número de horas trabalhadas –para o qual deu poucos detalhes. "Eu a vida toda defendi que cada cidadão tivesse o direito de trabalhar quantas horas ele quiser trabalhar", afirmou. "[O trabalhador procura o empresário e diz] 'olha eu me proponho a trabalhar na sua empresa; me comprometo tantos dias por semana, tantas horas por dia."
Ao defender a proposta, Caiado repete o rival Flávio Bolsonaro, que nesta terça-feira (19) chamou a discussão sobre o fim da escala 6x1 de legítima, mas "inoportuna e eleitoreira", e disse defender a negociação da carga horária entre trabalhador e empresário. "A remuneração por hora trabalhada traz liberdade, aumento da renda e proteção", afirmou Flávio.
No plenário da Marcha dos Prefeitos, Caiado fez uma fala inicial de 42 minutos, apesar de o presidente da CNM, Paulo Roberto Ziulkoski, ter dado cinco minutos para que o presidenciável fizesse seu pronunciamento inicial.
A organização até tentou interromper o político ao final do tempo regulamentar, mas foi interrompida aos gritos de "deixa ele falar". Com isso, o que deveria ser uma fala inicial seguida de respostas a perguntas se transformou num longo discurso, em que Caiado falou de combate a facções criminosas, saúde pública, alimentação escolar e construção de rodovias.
"Nós tínhamos 5 minutos iniciais e acabamos dando a liberdade, o senhor falou 42 minutos", afirmou Ziulkoski, da CNM, ao final da fala de Caiado.
