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Legado quilombola de Nego Bispo inspira programa nacional de formação de professores
Legado quilombola de Nego Bispo inspira programa nacional de formação de professores
Com coordenação nacional do IFBA, iniciativa do MEC integra saberes tradicionais à formação docente em todo o Brasil
Por Redação
12/05/2026 às 16:30
Foto: Divulgação
Programa Escola Nego Bispo de Saberes Tradicionais integra conhecimentos acadêmicos e saberes ancestrais
Neste 13 de maio, data que marca a abolição formal da escravidão no Brasil e também expõe as permanências das desigualdades raciais no país, o legado de lideranças quilombolas que transformaram a luta em produção de conhecimento ganha ainda mais centralidade. É nesse contexto que a trajetória de Antônio Bispo dos Santos, o Nego Bispo, se torna referência para uma política pública inédita voltada à educação brasileira.
Intelectual quilombola, agricultor, escritor e um dos principais pensadores brasileiros sobre ancestralidade e contracolonização, Nego Bispo dedicou sua vida à defesa dos saberes dos povos tradicionais e à crítica das estruturas coloniais de produção do conhecimento. Inspirado por esse legado, o Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais busca transformar a formação docente no Brasil ao integrar, de forma sistemática, conhecimentos acadêmicos e saberes ancestrais.
O programa tem origem em edital lançado pelo Ministério da Educação (MEC) e é coordenado nacionalmente pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi). Já em execução, a iniciativa reúne 100 projetos de extensão em todas as regiões do país, com financiamento de até R$ 41,6 mil por proposta, voltados à formação de estudantes de licenciatura e professores da educação básica.
Como parte da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), o programa responde a um desafio histórico da educação brasileira: a implementação efetiva das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira, indígena e quilombola nas escolas.
Com distribuição equitativa entre regiões e eixos temáticos — saberes afro-brasileiros, indígenas e quilombolas —, o programa, implementado pelos Institutos Federais de cada Estado, contempla iniciativas que envolvem desde práticas artísticas e culturais até línguas, narrativas, memórias e cosmociências.
Entre os exemplos, estão iniciativas como “Eu sou um Mandacaru”: Lutas e Resistências da Sabedoria Quilombola”, desenvolvida na Bahia, e “Línguas e Narrativas Tapeba: o Nheengatu e as Tradições Orais como Territórios Simbólicos de Resistência e Formação Intercultural”, no Ceará.
No Rio Grande do Sul, está em execução “Artes das Nossas Ancestralidades: Curso de Pedagogia Griô”, enquanto, em Minas Gerais, um dos projetos apoiados é “Projeto Palavra Encantada: A Língua Pankararu e a Reexistência no Território da Aldeia Cinta Vermelha Jundiba”.
No Centro-Oeste, iniciativas como “Saberes Indígenas na Educação Básica: Cosmociências e Práticas Pedagógicas Sobreculturais”, desenvolvida em Goiás, reforçam o compromisso com a valorização das culturas indígenas, das memórias e das práticas educativas enraizadas nos territórios.
