Defesa de Lulinha deve pedir arquivamento de inquérito do INSS
Empresária Roberta Luchsinger negou em depoimento à PF que filho de Lula tenha atuado em negócios de canabidiol
Por Mônica Bergamo/Diego Alejandro/Folhapress
20/05/2026 às 19:45
Atualizado em 20/05/2026 às 19:38
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve pedir o arquivamento da investigação da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes em descontos do INSS e chegou a levantar suspeitas sobre o filho do presidente Lula (PT).
Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e responsável pela defesa de Lulinha no caso ao lado de Guilherme Suguimori, afirmou que o depoimento da empresária Roberta Luchsinger à Polícia Federal feito nesta quarta (20) reforçou a tese de que o filho do presidente não teve participação nas irregularidades investigadas.
"[O depoimento] não foi uma surpresa, ele apenas reafirmou que Fábio Luís nunca recebeu um único recurso sequer derivado da prestação de serviços que Roberta celebrou com o então empresário Antônio Carlos Camilo Antunes [o Careca do INSS]", diz. "[Lulinha] não é, nunca foi, nem poderia ser alvo direto dessas investigações", disse o advogado à coluna.
Segundo ele, a defesa avalia pedir o arquivamento por "absoluta ausência de provas".
A investigação apura suspeitas de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024. A PF chegou a levantar a hipótese de que Lulinha pudesse ser sócio oculto do Careca do INSS, o que é negado pela defesa.
Marco Aurélio disse que o filho do presidente colaborou com as investigações desde o início e colocou seus sigilos à disposição da Justiça antes mesmo da quebra autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
O advogado também comparou o caso envolvendo Lulinha às investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que as diferenças entre as posturas do presidente Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação aos filhos são "oceânicas".
Segundo ele, enquanto Lula teria orientado o filho a colaborar com as autoridades, Bolsonaro tentou "blindar" Flávio durante investigações que ocorreram em seu governo.
Carvalho afirmou ainda que, na avaliação dele, o caso deixou de representar um problema político para Lula e passou a funcionar como um "trunfo" para a campanha do petista em 2026, justamente por "permitir comparações entre as duas famílias".
Ele também ironizou a atuação da oposição na CPMI do INSS e disse que a insistência pela quebra de sigilo de Lulinha acabou ajudando a defesa ao expor, segundo ele, a inexistência de irregularidades.
