CEO da AtlasIntel diz que ‘bônus do Nordeste’ para Lula está em declínio
Presidente do instituto de pesquisa afirma que fatores incluem menor peso do Bolsa Família e preocupação com facções criminosas
Por Karla Spotorno/Estadão
11/05/2026 às 17:00
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Lula
O CEO do instituto de pesquisas AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região Nordeste está em declínio e, portanto, o quadro para as eleições desse ano é diferente de pleitos anteriores. Durante a conferência Brasil em Pauta Nova York, evento do Estadão neste primeiro dia da Brazil Week, Roman disse que são vários os fatores que levaram ao declínio do desempenho positivo de Lula entre nordestinos nas pesquisas da empresa.
“Vários motivos levam a isso. O Bolsa Família não é mais visto como um programa que poderia ser cancelado por um outro governo, tampouco é mais atrelado ao Lula. Além disso, o benefício é encarado como um direito. Além disso, tem a questão da violência”, afirmou.
Roman refere-se ao avanço das facções criminosas no Nordeste. “As facções viraram notícia quase cotidiana em lugares como Fortaleza, periferia de Recife, periferia de Salvador”, disse.
Ele acrescentou que as chacinas estão mais frequentes e têm afetado bastante a popularidade de aliados de Lula, como os ex-governadores Camilo Santana (Ceará) e Rui Costa (Bahia).
“Eles tinham índice de popularidade alto, muito acima, inclusive, dos índices do Lula. Hoje em dia, a situação é bem ao contrário”, afirmou o presidente do AtlasIntel.
“Quando existe uma região que oferece um bônus grande a um candidato, e esse bônus tende a cair muito, eu entendo que a situação estrutural da eleição muda completamente”, afirmou o Roman.
Ele acrescentou que, para compensar essa perda do “bônus nordestino”, Lula teria de melhorar muito o desempenho em São Paulo, Rio, Minas. “Mas conseguir isso não é tão fácil”, afirmou.
Pesquisa AtlasIntel divulgada em 28 de abril mostra o presidente Lula em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro em eventual disputa pelo segundo turno. Enquanto o candidato do PL aparece com 47,8%, o petista tem 47,5%. No primeiro turno, no cenário com 13 candidatos, Lula tem vantagem, com 44,2% contra 39,3% de Flávio, segundo o levantamento. Os dois estão bem à frente dos demais candidatos que, somados, não alcançam 15% das intenções de voto. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-07992/2026.
