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Relator diz que Davi Alcolumbre barrou prorrogar CPI do Crime e que ele faz desserviço ao povo

Relator diz que Davi Alcolumbre barrou prorrogar CPI do Crime e que ele faz desserviço ao povo

Alessandro Vieira queria mais tempo para aprofundar investigação do caso Master

Por Constança Rezende/Folhapress

07/04/2026 às 21:30

Atualizado em 07/04/2026 às 21:37

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Arquivo

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O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE)

O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), barrou a prorrogação do grupo, nesta terça-feira (7).

Segundo o senador, em conversa entre os dois, Alcolumbre teria lhe dito que não pretende estender nenhuma CPI em ano eleitoral. A reportagem procurou a assessoria do presidente do Senado, que respondeu que ele não iria comentar o assunto.

Vieira classificou a posição de Alcolumbre como "um grande desserviço para nação" e que a comissão ainda teria assuntos importantes a tratar.

"Nós temos um volume muito elevado de documentos, dados, sigilos que foram quebrados para analisar, mas a gente não terá esse tempo", declarou. Com a decisão, o relatório final do grupo será apresentado no próximo dia 14.

Ao pedir mais prazo, Alessandro Vieira afirmou que os trabalhos da CPI "transcenderam a análise da criminalidade violenta tradicional" e, por isso, a prorrogação seria necessária para dar continuidade e aprofundar as investigações das fraudes envolvendo o Banco Master.

"Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder", diz o requerimento do senador.

Vieira acrescentou que não tentará pedir a prorrogação da CPI no STF (Supremo Tribunal Federal), já que o entendimento dos ministros tem sido no sentido de que cabe ao presidente do Senado decidir sobre a questão, como ocorreu com a CPI do INSS.

Apesar de descartar o recurso, o relator disse que a posição da corte contradiz o regimento do Senado e a Constituição. Também afirmou que a comissão fez algo inédito, "materializar o envolvimento de determinados ministros com figuras que estão sob investigação".

"Isso gera uma óbvia atenção e gera reações que vocês todos estão acompanhando. Como exemplo da dificuldade que enfrentamos, a quebra de sigilo do Banco Master veio incompleta. Então, nós precisamos solicitar à Receita Federal a complementação de dados", disse.

Ele destacou que o grande diferencial de uma comissão parlamentar de inquérito é poder fazer essas apurações com maior transparência, submetidos à cobrança da imprensa e do público em geral.

Vieira havia protocolado o pedido para estender por 60 dias as atividades do colegiado, nesta segunda-feira (6).

O documento foi assinado por 28 senadores, incluindo o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), e o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Segundo o relator, a comissão obteve "um volume monumental" de documentos recebidos a partir da investigação do Master, como arquivos decorrentes de quebras de sigilo, o que também "exige o cruzamento meticuloso de dados sensíveis e a realização de oitivas impreteríveis".

O colegiado foi instaurado em novembro de 2025 na esteira da Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos. No entanto, o grupo se tornou uma das frentes encontradas pelos senadores para apurar o caso Master diante da resistência de Alcolumbre em abrir uma CPI sobre o tema.

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