Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
Em lançamento de livro, Leo Prates afirma que o maior exemplo da pandemia é o SUS
Em lançamento de livro, Leo Prates afirma que o maior exemplo da pandemia é o SUS
Por Carine Andrade, Política Livre
09/04/2026 às 17:10
Foto: Política Livre
O deputado federal Leo Prates (Republicanos)
O legado do Sistema Único de Saúde (SUS) se consolidou como um dos principais pilares no enfrentamento à pandemia de Covid-19 no Brasil, sendo apontado como essencial para a capacidade de resposta rápida e eficiente diante de uma das maiores crises sanitárias da história recente.
Para o deputado federal Leo Prates (Republicanos), que, à época, comandava a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador, a experiência reforçou a importância de preservar e fortalecer o sistema público. Segundo ele, o SUS permitiu ao país contar com uma rede estruturada de epidemiologistas, capaz de compilar e analisar dados em tempo real, orientando decisões estratégicas e salvando vidas.
Durante sua gestão, Salvador ganhou reconhecimento internacional. A capital baiana foi destacada em relatório da Organização das Nações Unidas como referência em vacinação, resultado de uma atuação integrada entre a prefeitura e as equipes de saúde. O período, no entanto, foi marcado não apenas por números e estratégias, mas, sobretudo, por histórias humanas que agora ganham voz no livro “Memórias da Pandemia - os bastidores”, lançado nesta quinta-feira (9), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
“Para mim, o maior exemplo da pandemia é o SUS. O que é que o SUS faz? O SUS faz com que o Brasil tivesse uma rede de epidemiologistas que compilasse esses dados e que analisasse esses dados rapidamente e que nós, que estávamos à frente da gestão, pudéssemos responder com uma resposta efetiva e eficiente. Então, eu acho que a maior lição é que o SUS deve ser preservado, deve ser homenageado, que é feito por pessoas, para pessoas”, afirmou.
A obra, segundo Prates, não se limita a relatar ações administrativas, mas reúne relatos emocionantes de profissionais que estiveram na linha de frente. Entre eles, o caso de sua própria família: sua irmã, médica, que precisou ser internada no oitavo mês de gestação. Há também o depoimento da coordenadora de imunização da Prefeitura de Salvador, que perdeu a mãe durante a pandemia — histórias que evidenciam o impacto pessoal vivido por aqueles que, mesmo diante do luto, seguiram trabalhando.
“Eu me emociono porque, acima de tudo, é uma homenagem a todos os trabalhadores da Saúde, que fizeram com que nós estivéssemos aqui. Como diz o filme, ‘Nós ainda estamos aqui, graças a eles’”, recordou.
Outro episódio revelado no livro e, até então, pouco conhecido publicamente envolve uma situação crítica no Hospital de Itapuã. Durante a pandemia, lembrou Leo Prates, uma tubulação rompeu e provocou a inundação da unidade enquanto procedimentos delicados, como traqueostomias, eram realizados.
“Diante da emergência, a equipe precisou agir rapidamente: foram mobilizadas ambulâncias, carros-pipa e uma operação para evacuar pacientes e conter a água. Apesar da gravidade, ninguém morreu”, contou.
Entre os relatos, também chama atenção o depoimento do então presidente do Esporte Clube Vitória, Ricardo David, que cogitou transferir o irmão de um hospital de campanha para a rede privada, mas foi orientado a mantê-lo na unidade.
“Ele queria tirar o irmão dele de um hospital de campanha e foi recomendado pelos profissionais da rede particular que o paciente não fosse retirado, porque nós estávamos com uma tecnologia acima, naquele momento, dos hospitais particulares. Então, esse é o sonho de qualquer secretário: oferecer um serviço público melhor ou igual ao serviço privado. Essa sempre foi minha obsessão”, destacou.
