Caiado, Zema e Aldo criticam Judiciário e tentam se diferenciar na direita
Por Carlos Villela, Folhapress
10/04/2026 às 14:05
Atualizado em 10/04/2026 às 14:05
Foto: Divulgação/Fórum da Liberdade/Arquivo
Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Aldo Rebelo em painel de presidenciáveis em Porto Alegre -
Na disputa pelo espaço no campo conservador, os pré-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Aldo Rebelo (DC) dividiram o palco na noite de quinta-feira (9) durante 39ª edição do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, para tentar se diferenciar diante de um eleitorado também disputado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
Flávio estará no fórum nesta sexta-feira (10) e, segundo os organizadores, não participou do painel por questões de agenda.
Apesar do alinhamento em pautas como a anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro e as críticas ao Judiciário e à política econômica do governo Lula, os três usaram seu tempo cronometrado de falas sobre diferentes temas para definir perfis distintos dentro do campo da direita.
Caiado buscou se apresentar como político experiente, destacou sua proximidade com o agronegócio e reafirmou que, se eleito presidente, seu primeiro ato seria conceder anistia aos envolvidos nos atos do 8/1.
Suas críticas ao Judiciário, no entanto, encontram resistência no governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que foi derrotado na disputa interna pela pré-candidatura do PSD.
Horas antes do evento, Leite se reuniu pela primeira vez com Caiado desde a decisão do partido de Gilberto Kassab.
O gaúcho pediu desculpas por não parabenizá-lo prontamente após a escolha de Caiado e disse buscar convergência, mas discordou publicamente sobre a proposta de anistia que, segundo ele, não contribui para a agenda de despolarização.
, que afirmou não se considerar um político, defendeu o agravamento de penas para crimes cometidos por agentes públicos, especialmente do Judiciário, mas sem citar nomes. "Hoje, no Brasil, alguém que passou em um concurso da magistratura se transformou em um cidadão perfeito. Para mim, isso é uma aberração", disse.
Ele também destacou sua trajetória eleitoral e a vitória sobre o PT em 2018, quando derrotou o então governador Fernando Pimentel. Segundo ele, a aliança formada para sua reeleição em 2022, composta por nove partidos, mostraria que sua candidatura tem capacidade de agregar outros partidos.
Apesar disso, a articulação de Zema enfrenta desafios em palanques regionais como no Rio Grande do Sul, onde apoia o deputado federal Marcel van Hattem na disputa ao Senado, enquanto o Novo integra uma chapa à direita alinhada à campanha de Flávio, que tem como candidato Luciano Zucco (PL).
Aldo Rebelo, que depôs durante o julgamento dos atos de 8 de janeiro e teve um embate direto com o ministro Alexandre de Moraes, foi quem mais teceu críticas ao Supremo Tribunal Federal.
"O Brasil não é governável com esse STF. Ele é ingovernável e isso precisa ser dito", afirmou em sua fala de abertura, logo após fazer uma referência a um livro biográfico que escreveu sobre Dom Pedro 1º.
Os candidatos não fizeram menções explícitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre regime domiciliar desde que saiu da UTI.
Ao se definir como "nacionalista e em defesa do desenvolvimento" e crítico da atuação de ONGs internacionais e do que chama de identitarismo, Aldo Rebelo destacou episódios de divergência com a esquerda ainda no período em que era aliado do PT para explicar sua aproximação com o campo conservador.
Ele citou embates com ambientalistas quando foi relator da Lei dos Transgênicos e do Código Florestal, além de sua oposição à demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol.
Os três também defenderam políticas de segurança alinhadas com lideranças conservadoras no continente.
Caiado disse que encaminharia um projeto ao Congresso para classificar facções como grupos terroristas, como já defendido por Flávio Bolsonaro e pelo governo Donald Trump. Já Zema mencionou visita a um presídio em El Salvador, apontando o modelo de segurança do governo de Nayib Bukele como exemplo de redução de homicídios.
Aldo Rebelo também defendeu o endurecimento da legislação penal, mas relacionou o tema à atuação do PCC e CV na Amazônia. Segundo ele, facções oriundas de países como Colômbia e Venezuela já atuam na região, e ele estaria aberto a parceria para repressão ao narcotráfico com outros países "também no combate".
Os organizadores do evento organizado pelo think tank liberal IEE (Instituto de Estudos Empresariais) informaram que Lula e outros pré-candidatos foram convidados, mas não responderam.
No primeiro dia, o fórum reuniu atrações como o ex-presidente boliviano Tuto Quiroga e o empresário Luciano Hang. Nesta sexta, o painel de Flávio Bolsonaro será seguido pela apresentação da economista americana Deirdre McCloskey.
