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‘A volta dos que não foram’: sob cortejos do governo Jerônimo, prefeitos de oposição sustentam apoio a ACM Neto na corrida ao governo do Estado
‘A volta dos que não foram’: sob cortejos do governo Jerônimo, prefeitos de oposição sustentam apoio a ACM Neto na corrida ao governo do Estado
Por Política Livre
30/04/2026 às 20:15
Foto: Divulgação/Arquivo
Zé Cocá com ACM Neto, João Roma e Angelo Coronel
Depois de meses a fio sob um ostensivo cortejo da articulação política do governador Jerônimo Rodrigues (PT), prefeitos de cidades estratégicas ligados ao grupo de oposição não converteram a proximidade institucional com o governo estadual em apoio eleitoral, como pretendia o secretário de Relações Institucionais (Serin), Adolpho Loyola.
Os exemplos mais vistosos são do prefeito Zé Ronaldo (Feira de Santana), do ex-prefeito Zé Cocá (Jequié) e Junior Marabá (Luís Eduardo Magalhães), que representam a segunda maior cidade do Estado, uma referência regional do Médio Rio de Contas e o coração do agronegócio baiano, respectivamente, e que sustentaram apoio a ACM Neto (União Brasil).
Para interlocutores da oposição, a reafirmação dos três é uma dinâmica batizada como “a volta dos que não foram”, além de, segundo eles, ajudar a frear a atração por parte do governo de outros oposicionistas que governam municípios menores, onde a dependência da máquina estadual é visceral.
Ainda assim, segundo apurou este Política Livre, esses prefeitos têm sido aconselhados a preservarem a relação administrativa com o Estado a fim de não terem prejuízos de gestão, mesmo que, por outro lado, tenham o desgaste de verem fotos das agendas na governadoria serem vinculadas ao engajamento da reeleição de Jerônimo.
Até o final do ano passado Zé Ronaldo, Cocá e Marabá eram acionados pela Serin para agendas recorrentes com o governador, que até então dizia não tratar de arranjos eleitorais. Foi somente no Carnaval deste ano que Jerônimo admitiu que aguardava retorno de Zé Ronaldo por eventual aliança.
Biografia, promessas e reduto verde e amarelo
O retorno veio, mas em direção oposta. Superando o trauma de 2022, o prefeito feirense mobilizou um encontro em sua cidade com toda a chapa oposicionista para dizer que “nunca mudou de lado”. Pesou, nesse sentido, não violar uma biografia política de décadas construída em campo oposto ao PT.
Foi, a propósito, Zé Ronaldo um dos articuladores que levaram Cocá à vice de Neto, posto que, diferente de 2022, lhe havia sido ofertado previamente, como contam aliados. Alegando ter assumido compromisso com os feirenses na eleição de municipal de, se eleito, completar o mandato, passou a atuar como uma espécie de padrinho para o acerto do colega de Jequié com ACM Neto.
A peregrinação do governo com Cocá foi igualmente longa e “mais trabalhosa”, conforme relatou um interlocutor, considerando que ele não marchou com Jerônimo em 2022, preferindo seguir o então vice-governador João Leão no rompimento do PP com o clã petista.
Dessa vez, a decisão de Cocá passou, alegadamente, por promessas de obras não cumpridas pelo governador Jerônimo, a saber o Aeroporto Regional de Jequié, o novo centro industrial e o projeto de irrigação da Barragem de Pedra. Foram justamente essas cobranças públicas que o distanciaram do governo ao passo que já indicavam futura composição com ACM Neto.
Dos três prefeitos em análise, Junior Marabá (PP) foi o que, além de mais se aproximar da gestão petista, fez também críticas abertas à liderança de Neto. Após encontros na Serin, ele chegou a se referir ao secretário Loyola como “maestro” da política, embora fizesse a ressalva de que não faria campanha contra Jerônimo.
Sua realidade local, todavia, num reduto reconhecidamente mais conservador e uma das poucas cidades baianas onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PP) venceu em 2022, reorientou sua bússola. Acrescido a isso, está a pré-candidatura a deputada estadual de sua esposa, Cinthya Marabá, com aval expresso do presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro.
Baixas previsíveis
De alguma forma, o roteiro se repete com pelo menos outros dois prefeitos que conceitualmente marcham à direita: Ednaldo Ribeiro (Republicanos), de Cruz das Almas, que é muito ligado ao ex-ministro João Roma (PL), e Marcelo Belitardo (União Brasil), de Teixeira de Freitas, que ingressou na política como oposição ao PT.
Apesar de ainda não terem se posicionado sobre a eleição majoritária, nem mesmo integrantes do governo consideram prudente contar com a conversão de ambos, especialmente pela defesa bolsonarista que fizeram no pleito anterior.
