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Raissa Soares critica regulação na Bahia e questiona modelo que obriga pacientes a longos deslocamentos
Raissa Soares critica regulação na Bahia e questiona modelo que obriga pacientes a longos deslocamentos
Por Redação
25/03/2026 às 12:20
Atualizado em 25/03/2026 às 12:22
Foto: Divulgação
Raíssa Soares
A médica e pré-candidata a deputada federal Raissa Soares, que já atuou como secretária de Saúde em Porto Seguro, criticou o modelo de regulação da saúde pública na Bahia e levantou questionamentos sobre os impactos da centralização do atendimento no estado. A manifestação ocorre em meio a casos recentes que evidenciam a necessidade de deslocamentos de longa distância para acesso a serviços de média e alta complexidade.
Pacientes do interior podem ser obrigados a percorrer mais de 550 quilômetros até Salvador para conseguir atendimento, dependendo da disponibilidade de vagas reguladas. A situação evidencia a dependência do sistema estadual de regulação, responsável por organizar o acesso a leitos e procedimentos para os 417 municípios baianos.
O modelo adotado no estado é baseado na concentração da média e alta complexidade em grandes unidades regionais. Um dos exemplos é o Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus, que atende cerca de 70 municípios e opera com contrato de gestão no valor de R$ 546.057.415,20 para 60 meses, com repasse mensal estimado em R$ 9.100.956,92.
Em Porto Seguro, o Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães também funciona por contrato de gestão, com valor de R$ 425.358.381,00 para 60 meses, com repasse mensal estimado em R$ 7.089.306,35. Os dados mostram o volume de recursos destinados à estrutura hospitalar regional, dentro do modelo adotado pelo estado.
Dados oficiais também indicam pressão sobre o sistema. Em 2024, a Ouvidoria da Saúde da Bahia registrou 6.190 reclamações e 1.880 denúncias, sendo grande parte relacionada à demora no atendimento, dificuldade de acesso e questões envolvendo a regulação de pacientes. A transferência entre unidades de saúde aparece como uma das demandas mais recorrentes.
Para Raissa Soares, que já esteve à frente da gestão municipal de saúde, o problema não está apenas no volume de recursos, mas na forma como o sistema foi estruturado.
“Não estamos falando de falta de dinheiro. Estamos falando de um modelo que concentrou a saúde e fez o cidadão depender de uma decisão central para conseguir atendimento. Quando a regulação não funciona no tempo certo, o paciente precisa sair da sua cidade e enfrentar horas de deslocamento”, afirmou.
A médica também destacou que o formato atual amplia a dependência de longas viagens por parte dos pacientes.
“O atendimento deixou de estar perto das pessoas. Hoje, muitos dependem de vaga, autorização e deslocamento. Isso mostra que o modelo precisa ser revisto, porque quem sofre é o cidadão que está esperando na ponta”, declarou.
Outro ponto mencionado por Raissa Soares foi a necessidade de fiscalização dos contratos e do serviço prestado.
“O Estado contrata, paga, define metas. Mas alguém precisa acompanhar se isso está sendo entregue. O dinheiro é público e o serviço precisa funcionar de verdade”, pontuou.
Em 2025, o Governo da Bahia publicou licitação para contratação de serviços de comunicação e publicidade digital, com previsão de execução plurianual. A informação integra o conjunto de dados relacionados à gestão administrativa e à estrutura do sistema de saúde no estado.
“Quando existe estrutura, contrato e recurso, a pergunta é: por que o atendimento não chega para quem precisa? Saúde pública não pode ser medida por discurso, tem que ser medida pelo que acontece na vida das pessoas”, concluiu Raissa Soares.
