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PGR pede que Supremo condene deputados do PL por desvios de emendas parlamentares
PGR pede que Supremo condene deputados do PL por desvios de emendas parlamentares
Por Luísa Martins, Folhapress
10/03/2026 às 13:56
Foto: Divulgação/Facebook
Deputado Josimar Maranhãozinho no plenário da Câmara
A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu à Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) a condenação de três deputados do PL por corrupção passiva e organização criminosa, devido a desvios na destinação de emendas parlamentares.
A manifestação foi feita na manhã desta terça-feira (10), durante a sessão em que o colegiado julga os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) e o suplente Bosco Costa (PL-SE), réus na ação penal.
Segundo a denúncia oferecida pela PGR, o esquema envolvia uma tentativa de extorquir a Prefeitura de São José do Ribamar para que 25% do valor enviado ao município, o terceiro mais populoso do Maranhão, fosse devolvido aos parlamentares.
"Os documentos apreendidos na investigação corroboram a acusação de que os réus constituíram organização voltada à destinação de emendas parlamentares em troca de propina", disse o subprocurador-geral Paulo Jacobina, que representa a PGR no julgamento.
De acordo com ele, Maranhãozinho tinha uma posição de liderança no esquema, que operou entre 2019 e 2021. A organização também contava com a participação de assessores e intermediários, que exerciam o papel de "cobradores" junto aos gestores municipais.
Jacobina afirmou que as provas colhidas na instrução do processo demonstraram "estrutura ordenada com divisão clara de tarefas", o que caracteriza a organização criminosa, e que isso demanda uma "resposta firme de punição aos responsáveis".
O subprocurador destacou que a investigação sobre São José do Ribamar revelou indícios de que o grupo também cobrava propina de outros municípios, o que está sendo apurado no âmbito de "outros procedimentos ainda em tramitação".
Maranhãozinho sustenta que não há evidências de que ele tenha solicitado propina. Gil diz que a PGR fez uma interpretação enviesada de provas. Costa também nega ter atuado para obter vantagens. Os três pedem a nulidade das provas.
Como mostrou a Folha, a Primeira Turma tende a condenar os parlamentares, estabelecer penas severas e sinalizar ao Congresso Nacional que a resposta da corte a esse tipo de prática será rigorosa em casos semelhantes.
Essa é a primeira ação sobre desvios de emendas submetida a colegiado desde o início da ofensiva do ministro Flávio Dino por mais transparência na execução das verbas. Por isso, é considerada por congressistas um termômetro sobre a posição do STF.
A relatoria do caso é do ministro Cristiano Zanin. Além dele e de Dino, votam o ministro Alexandre de Moraes e a ministra Cármen Lúcia. São necessários três votos para estabelecer a condenação. Depois disso, a Turma discute a dosimetria das penas.
