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'Não faria nada diferente', diz Haddad sobre gestão do Ministério da Fazenda
'Não faria nada diferente', diz Haddad sobre gestão do Ministério da Fazenda
Por Felipe Mendes/Folhapress
14/03/2026 às 09:45
Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil
Fernando Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira (13), durante entrevista em que confirmou que será candidato nas eleições deste ano, que não faria nada diferente do que fez em seu período no comando do Ministério da Fazenda.
O anúncio de saída do cargo ocupado desde janeiro de 2023 deve ser formalizado na próxima semana. Em entrevista ao programa 20 Minutos, do portal Opera Mundi, Haddad fez uma breve análise sobre o período na pasta e refutou a alcunha de "taxador" recebida por opositores.
"Nenhum cara progressista vai poder acusar esse governo de não ter sido justo, do ponto de vista de que, se tem que arrumar alguma coisa, vamos cobrar de quem não paga", disse, afirmando ter "atacado" classes isentas de imposto até então, como detentores de fundos offshore, dividendos e donos de bets.
"Nós fizemos essas mudanças e, na minha opinião, não faria nada diferente", afirmou.
O ministro deve ser substituído por Dario Durigan, hoje secretário-executivo da Fazenda. Haddad não teceu elogios diretamente ao seu possível sucessor, mas disse que deixa a Fazenda em "boas mãos".
Na entrevista, o ministro disse que projeta um crescimento do PIB entre 0,8% e 1% para o primeiro trimestre deste ano, mas uma alta anual acima de 2% "vai depender dos juros". A diretoria do Banco Central se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic, hoje em 15% ao ano.
"Eu acredito que neste [primeiro] trimestre, a economia brasileira é capaz de crescer entre 0,8% e 1%. Então, os mecanismos de mudanças no crédito, tudo que nós estamos fazendo para manter a demanda efetiva, isso está redundando em manutenção", disse Haddad.
"Mas eu estou tranquilo em relação à questão das projeções fiscais".
A escalada nos preços do petróleo devido à guerra no Irã não desperta muita preocupação, segundo o ministro. Apesar de seu potencial inflacionário, o aumento do petróleo também pode se traduzir em ganho em arrecadação para o governo.
"Até com esse negócio do petróleo você tem um aumento de arrecadação natural, porque o Brasil é um grande produtor de petróleo, então você vai ter aumento da arrecadação por conta disso, naturalmente", disse.
Nesta quinta-feira (12), o presidente Lula (PT) assinou medida provisória que zera o PIS e a Cofins do óleo diesel, estabelece o pagamento de subvenção a produtores e importadores e institui um imposto de exportação de petróleo.
"Eu acho que o crescimento, pela maneira como nós estamos conduzindo, sobretudo as reformas que foram feitas, vai permanecer. Eu acho que a reforma tributária que entra em vigor no ano que vem vai dar um impulso para o PIB ainda maior. Mas eu fico preocupado com esse freio de mão puxado mesmo diante da menor inflação acumulada em quatro anos", disse Haddad.
Na maior parte da entrevista, com duração de mais de duas horas, o ministro dedicou o tempo para discutir seu livro "Capitalismo Superindustrial", publicado em janeiro pela editora Zahar.
O ministro não disse, porém, se será postulante ao governo de São Paulo, onde poderá enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Durante a entrevista, Haddad disse que queria se dedicar à elaboração do plano de governo para a candidatura de Lula à reeleição presidencial, mas que a deterioração do cenário político fez com que optasse por outro caminho.
"Nesses três meses de conversa com ele [Lula], o cenário se complicou. O céu está menos azul do que eu imaginava no final do ano passado. Então, estou conversando com o presidente e devo sair do Ministério na semana que vem", afirmou Haddad.
