Lula pediu estudos para reduzir custo de crédito rotativo, diz Gleisi
Presidente fez solicitação durante reunião com ministros, como antecipado pela Folha e confirmado pela ministra
Por Mariana Brasil/Folhapress
30/03/2026 às 17:05
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, confirmou nesta segunda-feira (30) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu análises do Banco Central e do Ministério da Fazenda para viabilizar reduções no custo do rotativo do cartão de crédito.
O presidente quer mudanças nessa modalidade, em razão do impacto negativo da alta do endividamento das famílias na sua popularidade em ano eleitoral.
"O presidente pediu para estudar. Ele disse assim: 'Olha, como pode um juro que é uma Selic por mês em crédito rotativo? Isso não tem justificativa. Se o juro do cheque especial já está tabelado, por que não pode haver uma referência para [o rotativo]?'", disse.
O tema foi discutido em reunião do presidente com a cúpula do Executivo na semana passada, que avaliou as principais fontes de desgaste do governo no cenário eleitoral. Nova reunião aconteceu na última terça-feira (24) com integrantes da equipe econômica.
Assim como em posicionamentos públicos anteriores, o nível da taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, foi novamente criticado pelo presidente durante o encontro. Na ocasião, o diagnóstico repassado a ele foi o de que o elevado comprometimento do orçamento doméstico com o pagamento das dívidas tem feito com que as famílias acabem o mês sem dinheiro.
A situação aumenta o mal-estar com o governo, neutralizando bandeiras como o quadro de redução do desemprego, geração de renda e controle da inflação.
Segundo dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (30), o comprometimento de renda (parcela do orçamento familiar destinado ao pagamento de dívidas e despesas fixas) subiu 0,1 ponto percentual no mês, alcançando 29,3% em janeiro. Esse é o maior patamar da série histórica do BC, iniciada também em março de 2011.
Segundo o chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, as operações de crédito emergencial, em especial do rotativo do cartão de crédito, tiveram papel relevante no crescimento do comprometimento de renda.
O rotativo é a linha de crédito mais cara do mercado, recomendada por especialistas apenas em casos emergenciais. Ele é acionado quando o cliente não paga o valor integral da fatura na data de vencimento.
De acordo com o BC, em fevereiro, a taxa média cobrada pelos bancos de pessoas físicas foi de 435,9% ao ano. Houve um aumento de 11,4 pontos percentuais na variação mensal. Nesse segmento, são cerca de 40 milhões de clientes.
Desde janeiro de 2024, está em vigor a norma que estabelece que a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão de crédito não pode superar o dobro do montante original. Isso significa que a taxa de juros é limitada a um teto de 100% do valor da dívida contraída. Esse modelo é conhecido no jargão econômico como "muro inglês".
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as taxas de juros cobradas no rotativo do cartão de crédito são punitivas e defendeu uma discussão estrutural sobre a criação de alternativas mais adequadas à população.
