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Juízes fazem ofensiva no Senado para barrar proposta que extingue aposentadoria como punição
Juízes fazem ofensiva no Senado para barrar proposta que extingue aposentadoria como punição
Ação ocorre um dia depois de o ministro Flávio Dino, do STF, proibir a aposentadoria compulsória como punição máxima a magistrados envolvidos em processos administrativos
Por Roseann Kennedy/Estadão
17/03/2026 às 16:56
Atualizado em 17/03/2026 às 16:47
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Arquivo
Plenário do Senado
Representantes da magistratura fazem nesta terça-feira, 17, uma ofensiva no Senado para tentar frear a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a aposentadoria compulsória como medida disciplinar para servidores públicos, incluindo juízes e membros do Ministério Público. A votação está marcada para esta quarta-feira, 18, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
O movimento é encabeçado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). A Coluna do Estadão entrou em contato com a entidade e mantém o espaço aberto para manifestações adicionais ao longo do dia.
A pressão dos juízes ocorre apenas um dia após uma decisão de impacto tomada pelo próprio Flávio Dino no STF. Em um caso isolado, o ministro proibiu a aplicação da aposentadoria compulsória para magistrados condenados administrativamente, determinando que o CNJ aplique penas mais rígidas, como a perda do cargo por meio de ação judicial.
Contudo, a decisão de Dino no Supremo, por ser liminar e específica, ainda permite interpretações. A aprovação da PEC no Senado mudaria esse cenário, tornando a proibição regra constitucional definitiva, sem margem para novos questionamentos jurídicos ou recursos.
PEC foi apresentada por Dino e tem parecer favorável
A PEC foi apresentada pelo próprio Flávio Dino no início de 2024, durante seu breve mandato como senador, antes de assumir a cadeira de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
O texto propõe alterar a Constituição para que a demissão (perda do cargo) seja a punição máxima em processos administrativos.
A relatora da matéria, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), apresentou parecer favorável à proposta. Em seu relatório, Gama argumenta que a manutenção da aposentadoria compulsória como sanção fere o princípio da moralidade administrativa.
Ela observa, ainda, que a benesse gera uma percepção de impunidade perante a sociedade, assemelhando-se a um “prêmio” em vez de um castigo.
O posicionamento da Ajufe
O presidente da Ajufe, Caio Marinho, manifestou-se após a decisão de Dino no STF, pedindo cautela sobre a substituição automática da punição. Segundo a nota da associação, a perda do cargo já é prevista no ordenamento, mas exige ação judicial própria após a decisão administrativa.
Marinho destaca preocupação da classe na questão previdenciária. Alega que os juízes contribuem com valores elevados ao regime próprio de previdência ao longo de décadas e que o confisco desses valores pode ser inconstitucional.
“A simples substituição da aposentadoria compulsória pela perda do cargo, sem o devido tratamento da questão previdenciária, poderia levar à retenção pelo Estado de valores recolhidos durante toda a vida funcional... Isso poderia representar questionamentos constitucionais relacionados ao direito previdenciário adquirido e à vedação ao confisco”, afirmou o presidente da Ajufe.
