Haddad busca vice ligado ao agro para se fortalecer no interior de SP
Por Caio Spechoto e Augusto Tenório / Folha de São Paulo
20/03/2026 às 07:07
Atualizado em 20/03/2026 às 08:07
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Fernando Haddad
Escolhido pelo presidente Lula (PT) para disputar o Governo de São Paulo e de saída do Ministério da Fazenda, o petista Fernando Haddad busca um vice próximo ao agro para compor sua chapa. A ideia é tentar fortalecer a candidatura petista no interior do estado.
Haddad foi candidato a governador em 2022 e ganhou na região metropolitana de São Paulo. O bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), porém, teve muito mais votos que o petista no interior –7,9 milhões contra 4,7 milhões– e se elegeu.
No total, Tarcísio teve 55% dos votos contra 45% de Haddad. Apesar da derrota, o resultado foi o melhor da história do PT no estado. O avanço do partido junto ao eleitorado paulista foi avaliado pelo grupo político de Lula como fundamental para a vitória na eleição nacional.
O esforço político é para emular uma aliança como a de Lula com o hoje vice-presidente e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB). A aproximação entre os dois, que representaram grupos adversários por anos, foi a principal cartada do petista na busca pela ampliação do próprio eleitorado em 2022.
Aliados de Haddad relataram como ideal para vice do petista uma versão mais jovem do ex-ministro Roberto Rodrigues. Benquisto no meio agropecuário, ele comandou a Agricultura no primeiro governo Lula, de 2003 a 2006.
O problema é que, 23 anos após o início da primeira gestão Lula, o PT tem dificuldades de interlocução com o agro, que prefere políticos de direita.
A avaliação entre articuladores do governo junto ao setor é que segmentos com produção de maior valor agregado, como de processamento de carnes e fabricação de óleos vegetais, até conversam bem com a gestão petista, mas que dificilmente um representante desses grupos aceitaria uma vinculação como a vice de Haddad.
A escassez de opções com esse perfil faz com que aliados do petista discutam uma manobra política difícil. Parte desse grupo avalia sondar o ex-governador Rodrigo Garcia para o posto.
Rodrigo Garcia está sem cargo público e sem partido. Em 2022, ele disputou a eleição para o Palácio dos Bandeirantes pelo PSDB, mas não passou do primeiro turno. Na etapa final, apoiou Tarcísio para governador e Jair Bolsonaro (PL) para presidente.
Políticos próximos ouvidos pela reportagem avaliam que o ex-tucano tem proximidade com Tarcísio e que não aceitaria uma associação com o petista.
Haddad resistiu por meses à hipótese de se candidatar, mas cedeu à pressão de Lula e anunciou na quinta-feira (19) que concorrerá ao governo paulista. Petistas têm pouca esperança em uma vitória contra Tarcísio. O principal objetivo da candidatura de Haddad será dar volume à campanha de Lula em São Paulo, que tem o maior eleitorado do país.
O presidente da República articula uma chapa com diversos nomes do primeiro escalão de seu governo para São Paulo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), já confirmou publicamente que concorrerá a uma vaga de senadora pelo estado.
Tebet provavelmente mudará de partido para concorrer. O MDB, ao qual é filiada atualmente, é próximo de Tarcísio em São Paulo.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), também é uma provável candidata ao Senado na aliança de Lula. Ela também é apontada como um possível nome para a vice de Haddad caso o petista não consiga um aliado que amplie seu eleitorado.
Neste caso, o desgaste da chapa lulista junto ao agronegócio aumentaria. Marina é impopular no setor, que costuma criticar suas políticas para o meio ambiente. É provável que ela deixe a Rede e volte para o PT.
O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), também busca espaço em uma chapa lulista majoritária em São Paulo. Seu destino, porém, é o mais indefinido. França, que já foi governador, deverá conversar com Lula sobre o assunto nos próximos dias.
Os partidos têm até 5 de agosto, fim do período das convenções partidárias, para definir as candidaturas. Os candidatos têm até 3 de abril para trocar de legenda, caso queiram disputar a eleição. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
