/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Dólar fecha em forte queda, a R$ 5,24, após Trump adiar ataques ao Irã; Bolsa sobe mais de 3%

Dólar fecha em forte queda, a R$ 5,24, após Trump adiar ataques ao Irã; Bolsa sobe mais de 3%

Mercado acionário avançou na contramão do petróleo, que despencou após presidente sinalizar adiamento de ofensivas

Por Folhapress

23/03/2026 às 18:30

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar fecha em forte queda, a R$ 5,24, após Trump adiar ataques ao Irã; Bolsa sobe mais de 3%

Dólar fechou em forte recuo de 1,31%

O dólar fechou em forte recuo de 1,31%, a R$ 5,241, nesta segunda-feira (23), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por cinco dias ataques contra usinas de energia do Irã e mencionar a possibilidade de negociações com o país.

A moeda norte-americana teve um pregão de forte desvalorização, em linha com o movimento do petróleo —que recuou até 13%. Na mínima do pregão, o dólar chegou a R$ 5,215, em queda de 1,80%.

A Bolsa brasileira, por outro lado, avançou 3,24%, a 181.931 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco (na máxima, o avanço foi de 3,83%). Nos Estados Unidos, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 subiram em bloco, com altas de até 1,47%.

Investidores reagiram com entusiasmo à sinalização de Trump. Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos recuou de ameaças de destruir usinas de energia iranianas, afirmando que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares por cinco dias.

Em uma publicação no Truth Social, ele também disse que EUA e Irã tiveram conversas "muito boas e produtivas" nos últimos dois dias sobre uma "resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio".

O americano afirmou a jornalistas que está conversando com uma autoridade iraniana que não seria o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e instou o país a parar de enriquecer urânio.

Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do Irã disse que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, confirmou que há "iniciativas para reduzir a tensão", mas que Teerã só aceitará propostas dos Estados Unidos diretamente.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a recente declaração de Trump trouxe um alívio aos mercados por sinalizar uma desescalada no conflito. "Isso ajudou a contar a disparada do petróleo, que vinha pressionando Bolsas. Há diminuição no sentimento de risco e nos temores de interrupção na oferta de energia".

Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã afetou os mercados acionários, com uma busca por ativos de segurança. O comportamento conhecido como "fuga para qualidade" fez com que ativos como dólar e renda fixa se valorizassem.

Para se ter uma noção, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de seis moedas fortes, registra alta de 1,50% desde que a guerra no Oriente Médio começou. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, por outro lado, registra recuo de 3,6%.

"A sinalização de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, acompanhada de uma pausa temporária nos ataques, levou o mercado a reprecificar um cenário de menor probabilidade de escalada do conflito. Como resultado, o câmbio devolveu parte da alta recente, em um movimento alinhado ao comportamento global da divisa americana", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Além disso, há um temor de que a inflação suba mais caso o conflito dure por mais tempo, e as cotações do petróleo permaneçam em alta.

Os preços da commodity dispararam após o fechamento do estreito de Hormuz, localizado na fronteira do Irã e por onde passa cerca de 20% da produção global da commodity.

O anúncio da trégua nesta segunda, por outro lado, levou o preço do petróleo a despencar mais de 13% e chegar a US$ 91,89 (R$ 488,12), às 8h (horário de Brasília).

Antes disso, o barril Brent vinha oscilando entre US$ 105 e US$ 109, sendo que a máxima foi de US$ 109,68 (R$ 582,62), às 5h15. Mas o anúncio feito por volta das 7h fez com que o preço desabasse rapidamente até atingir US$ 91,89.

"O mercado deu uma boa recuperada, já que passou a apostar em vias diplomáticas para solucionar o conflito. Principalmente por causa do escoamento de petróleo, que costuma deixar os mercados muito tensos, já que pressiona bastante a inflação. Nas últimas semanas, o mercado vinha precificando juros mais altos justamente por essa pressão inflacionária", diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

O movimento do pregão desta segunda é inverso ao da sexta, quando o dólar disparou 1,81%, cotado a R$ 5,311, e a Bolsa tombou 2,24%, a 176.219 pontos.

No Brasil, a agenda do dia foi esvaziada de indicadores. Às 10h30, o Banco Central realizou leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de 2 de abril. Do total, US$ 1,8 bilhão foi vendido.

Os leilões são intervenções do BC no câmbio. Na prática, eles servem para aumentar a quantidade de dólares disponíveis para os investidores, seguindo a lei da oferta e demanda. Ou seja, quanto mais moeda puder ser comprada, menor vai ser a cotação dela.

Também houve destaque para a suspensão de operações no Tesouro Direto na abertura do mercado para conter a forte volatilidade de títulos. A plataforma ficou fora do ar até às 11h15 desta segunda.

Na curva de juros, o movimento acompanhou o alívio externo. Por volta das 16h, o contrato para janeiro de 2028 recuava de 14,122% (ajuste anterior) para 13,800%, queda de 32 pontos-base. Já o contrato para janeiro de 2035 caía 20 pontos-base, de 14,040% para 13,835%.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.