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Dólar fecha em alta firme e Bolsa recua após Fed manter taxa; investidores ainda aguardam Copom

Dólar fecha em alta firme e Bolsa recua após Fed manter taxa; investidores ainda aguardam Copom

BC dos EUA afirmou que implicações da guerra no Oriente Médio são 'incertas'; placar foi de 11 votos a 1

Por Tamara Nassif/Folhapress

18/03/2026 às 18:00

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

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Dólar fechou em alta de 0,72% nesta quarta-feira (18), cotado a R$ 5,243

O dólar fechou em alta de 0,72% nesta quarta-feira (18), cotado a R$ 5,243, tendo a decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) como principal impulso para as negociações.

O comitê norte-americano optou por manter a taxa inalterada na faixa de 3,5% e 3,75%, como amplamente esperado pelos mercados. No comunicado que acompanhou a definição, o Fed citou que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio na economia dos Estados Unidos são "incertos".

Até então sem direção única, o dólar firmou alta durante a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell.

Ele afirmou que não haverá cortes na taxa de juros se não houver progresso na inflação, indicando que, embora tenha havido avanço no processo desinflacionário, ele não se encontra no "ritmo desejado". A declaração foi vista como "hawkish" pelos operadores —agressiva na política de juros, no jargão—, o que minou a atratividade de ativos de risco.

A Bolsa de Valores brasileira, nesse sentido, recuou 0,42%, a 179.639 pontos, depois de ter alcançado 181.550 pontos no pico da sessão. Investidores agora aguardam a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, às 18h30.

Wall Street também firmou em baixa, com quase os três principais índices (S&P500, Dow Jones e Nasdaq Composite) marcando perdas de mais de 1%.

Sem um ponto de parada claro para a campanha dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, os impactos do conflito na economia norte-americana são difíceis de estimar. A guerra já elevou o preço do petróleo ao maior patamar em quatro anos e catapultou o preço médio da gasolina e do diesel, que subiram mais de 25% na comparação com o valor antes do conflito.

Os efeitos também poderão ser sentidos nos preços de fertilizantes e, portanto, nos de alimentos. Se persistirem por mais tempo, os efeitos deverão chegar até a inflação total, afetando a estratégia de juros do Fed.

O impacto do choque geopolítico ainda não aparece plenamente nos indicadores de inflação, diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, já que a escalada do conflito começou no início de março.

"No entanto, indicadores de alta frequência já sinalizam essa pressão, especialmente nos preços dos combustíveis. Esse movimento representa um desafio adicional para a condução da política monetária. Após um período em que os bancos centrais observavam sinais mais consistentes de desaceleração inflacionária, a alta recente dos preços de energia pode tornar o processo de desinflação mais lento e incerto", afirma ele.

Na entrevista coletiva, Powell disse que é 'cedo demais' para saber o efeito completo do conflito na economia, mas o choque no petróleo deve aparecer nos núcleos de inflação. E, sem progresso nos indicadores inflacionários, não haverá cortes nos juros.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca a guinada na comunicação do Fed. Segundo ele, após passar um longo período focado na desaceleração do mercado de trabalho, o banco central agora começa a "colocar a dinâmica da inflação novamente no centro da função de reação".

"A mensagem de Powell reforça que, apesar de algum progresso, o processo desinflacionário ainda é insuficiente, o que indica um Fed menos disposto a antecipar cortes de juros e mais dependente de evidências de desaceleração dos preços".

As apostas agora são de apenas um corte nos juros até o fim do ano.

No Brasil, por outro lado, o cenário ainda está em aberto. A guerra no Irã também embaralhou as apostas por aqui e, se antes do conflito a discussão era sobre a magnitude do corte, agora já há quem preveja que a Selic vai ficar onde está desde junho do ano passado, em 15% ao ano.

Bancos que projetavam um corte de 0,5 ponto percentual na reunião passaram a prever juros estáveis ou uma redução mais modesta, de 0,25 ponto percentual. A maior mudança veio da XP, que passou a prever a manutenção da taxa básica de 15%, com expectativa de uma "abordagem mais cautelosa" pelo colegiado.

Entre 30 instituições consultadas pela Bloomberg, 10 apostam em corte para 14,5% ao ano (o consenso antes da guerra), 19 preveem redução para 14,75% e uma a manutenção em 15%.

O movimento também apareceu no boletim Focus, do Banco Central. Os analistas esperam que o Copom decida reduzir a taxa de 15% para 14,75%. Até a semana passada, a expectativa era que a Selic caísse para 14,5%.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem sido apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.

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