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Davi Alcolumbre decide manter quebra de sigilo de Lulinha determinada pela CPI do INSS
Davi Alcolumbre decide manter quebra de sigilo de Lulinha determinada pela CPI do INSS
Presidente do Senado diz que votos contrários não alcançaram mais da metade dos presentes
Por Carolina Linhares/Constança Rezende/Folhapess
03/03/2026 às 17:45
Atualizado em 03/03/2026 às 17:50
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Arquivo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu manter a deliberação da CPI (Comissão Parlamentar do Inquérito) mista do INSS que autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de um dos filhos do presidente Lula (PT), Fábio Luís, conhecido no mundo político como Lulinha.
"Esse não é um caso de flagrante desrespeito ao regimento ou à Constituição. Não há aqui situação que justifique a excepcional atuação desta presidência para anular a deliberação da CPI", disse Alcolumbre, ao anunciar que não iria intervir para mudar o resultado.
A votação, que ocorreu na quinta-feira (26), foi seguida de bate-boca e agressões. A quebra de sigilo foi autorizada pela CPI, mas membros governistas questionaram a votação e o resultado proclamado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Eles apresentaram a Alcolumbre um recurso por escrito pedindo a anulação da votação por fraude.
A votação foi feita de maneira simbólica, ou seja, sem votação nominal de cada parlamentar. Na votação simbólica, aqueles que são favoráveis se mantêm sentados e os contrários se levantam. Para os integrantes da CPI aliados de Lula, o resultado da votação havia sido de 14 votos contra a quebra do sigilo e 7 a favor, de um quórum de 21 participantes.
Viana, no entanto, contou 7 votos a favor. E, mesmo quando admitiu que poderiam ser 14, disse que, para formar maioria, eram necessários 16, já que o painel de presença registrava 31 parlamentares.
"Esse número de votos voluntários [14] não seria suficiente para a configuração da maioria. Isso porque o quórum de presença no momento, registrado pela Advocacia e pela Secretaria-Geral da Mesa, mostrado no painel e verificado na votação anterior, era de 31 parlamentares. A maioria com esse quórum, portanto, equivale a 16 parlamentares", disse Alcolumbre.
"Ainda que se considere que o presidente da CPI se equivocou na contagem daqueles que se levantaram, o número de votantes contrários demonstrado pelos autores não seria suficiente para ganhar a deliberação", continuou o presidente, admitindo que pode ter havido erro na contagem.
"Esta presidência conclui que a suposta violação das normas regimentais e constitucionais pelo presidente da CPI do INSS não se mostra evidente e inequívoca, razão pela qual, em respeito aos precedentes todos da Casa, não se faz necessário, no presente momento, uma intervenção da presidência da Mesa do Congresso Nacional", concluiu.
Lulinha é alvo da CPI pelo suposto envolvimento com o lobista Antônio Camilo, conhecido como Careca do INSS, acusado de ter facilitado os descontos indevidos nas aposentadorias de beneficiários do INSS. O lobista teria ordenado um pagamento de R$ 300 mil a uma empresária que é ligada ao filho do presidente.
A defesa de Lulinha afirma que ele não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime.
A celeuma na CPI envolve diferentes interpretações do regimento do Congresso, com divergências a respeito de quantidade de votos, quórum (quantidade mínima necessária de presentes) e método de votação.
A sessão tinha 87 requerimentos em pauta, incluindo o de Lulinha. Antes da análise do mérito, os parlamentares decidiram por volta das 11h, em votação nominal, que os pedidos seriam apreciados em bloco. O painel registrou 31 presentes, incluindo o presidente. Nessa votação, participaram os titulares e também suplentes, quando o titular estava ausente.
Na sequência, por volta das 11h30, o presidente da CPI, o senador Carlos Viana, anunciou votação simbólica para aprovar os requerimentos (que incluíam pedidos de informação, de quebras de sigilo e de convocações de uma série de pessoas). Nesse modelo, quem concorda permanece sentado e quem discorda se manifesta. Ele declarou haver sete votos contrários e proclamou a aprovação.
Deputados aliados ao governo Lula contestaram a contagem e afirmam que 14 parlamentares estavam de pé. A reportagem identificou ao menos 12 na transmissão da TV Senado. Essa é a primeira divergência entre os dois lados.
A segunda divergência diz respeito ao quórum. Os governistas afirmam que havia 21 parlamentares no momento da votação, portanto o resultado teria sido de 14 votos contrários a 7 favoráveis. Mas Viana considera 31 presentes, como foi registrado pelo painel na votação anterior. Se Viana estiver certo, eram necessários 16 votos —e não 14— para formar maioria e, portanto, os governistas perderam.
Nesse ponto, os 14 parlamentares que votaram "não" dizem, no recurso apresentado a Alcolumbre, que não faz sentido considerar que havia 31 presentes, pois esse número diz respeito à votação nominal anterior, que teve a participação de suplentes, enquanto a segunda votação foi simbólica, em que se consideram apenas os presentes naquele instante e votam apenas titulares.
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