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Copom inicia reunião em meio a mudanças nas previsões para os juros por causa da guerra no Irã

Copom inicia reunião em meio a mudanças nas previsões para os juros por causa da guerra no Irã

Por Folha de São Paulo

17/03/2026 às 08:06

Foto: Lucio Tavora/Xinhua

Imagem de Copom inicia reunião em meio a mudanças nas previsões para os juros por causa da guerra no Irã

Sede do Banco Central, em Brasília

O Copom (Comitê de Política Monetária) inicia sua segunda reunião do ano nesta terça-feira (17) em meio a dúvidas crescentes sobre qual será a taxa básica de juros da economia. A guerra no Irã embaralhou as apostas e já há quem preveja que a Selic vai ficar onde está desde junho do ano passado, em 15% ao ano.

Bancos que previam um corte de 0,5 ponto percentual na reunião, que termina nesta quarta (18), passaram a prever juros estáveis ou uma redução mais modesta, de 0,25 ponto percentual, diante de um cenário de maior risco externo pela escalada dos preços internacionais do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio.

A maior mudança veio da XP, que passou a prever a manutenção da taxa básica de 15%, com expectativa de uma "abordagem mais cautelosa" pelo colegiado. "O fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom piorou o cenário para a inflação", afirma a XP em nota assinada pelo economista-chefe, Caio Megale.

Na avaliação do BNP Paribas, o Copom poderia "até mesmo adiar o início do ciclo de afrouxamento para a reunião de abril, quando as autoridades presumivelmente teriam mais clareza tanto sobre a atividade doméstica quanto sobre a geopolítica".

Entre 27 instituições consultadas pela Bloomberg, 10 apostam em corte para 14,5% ao ano (o consenso antes da guerra), 16 preveem redução para 14,75% e uma a manutenção em 15%.

O movimento também apareceu no boletim Focus, do Banco Central. Os analistas esperam que o Copom decida reduzir a taxa de 15% para 14,75%. Até a semana passada, a expectativa era que a Selic caísse para 14,5%.

Nesta segunda-feira (16), o Tesouro Nacional recomprou R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados e R$ 15,4 bilhões em títulos IPCA+ (indexados à inflação), em uma intervenção no mercado depois de uma escalada nos juros futuros. Foi a maior atuação do órgão no mercado de juros desde 2020, quando foi declarada a pandemia de Covid-19.

A estratégia buscou conter a disparada das curvas de juros nos últimos dias, quando investidores passaram a colocar na conta a possibilidade de a taxa Selic cair em um ritmo mais lento do que o esperado.

A leitura é que, com o preço do petróleo pressionado pela guerra no Irã, é possível que a inflação no Brasil sofra um repique, forçando o Copom a adotar uma postura mais cautelosa na política de juros.

"O Tesouro já atuou dessa forma em outros momentos de estresse", disse Guilherme Rodrigues, gestor de renda fixa na Kinea Investimentos. A ação "ajuda o mercado a encontrar um preço justo em um movimento de forte aversão a risco", afirma.

Segundo técnicos envolvidos na operação, a entrada do Tesouro ajudou a "colocar a bola no chão" e dar tranquilidade ao mercado em um momento em que as incertezas em torno da guerra no Irã deixaram o mercado de juros sem referências.

Num momento como esse, em que há disparos de ordens de venda para estancar possíveis perdas, o órgão atua para dar saída a esses investidores e restabelecer o bom funcionamento do mercado.

Segundo um interlocutor do governo, os técnicos chegaram a levantar a questão sobre se o órgão devia atuar ou não diante desse contexto, mas a orientação do comando do Tesouro foi a de que a avaliação técnica deveria prevalecer. Isso significa, na prática, que o órgão recebeu sinal verde para fazer o que julgasse ser mais apropriado para manter o bom funcionamento dos mercados.

A avaliação é que, da mesma forma, o Banco Central deve adotar a mesma postura e fazer o que for necessário em relação à taxa de juros.

Nos leilões de recompra, foram adquiridos R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados com vencimentos entre 2028 e 2032. A proposta do Tesouro era recomprar até 25 milhões de títulos.

Na parte da tarde, um segundo leilão de recompra foi realizado, desta vez com títulos indexados à inflação. O Tesouro indicou que pretendia recomprar até 10 milhões de títulos. O volume financeiro somou R$ 15,4 bilhões.

Após as operações, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,57% no fim da tarde, com baixa de quase 30 pontos-base ante o ajuste de 13,85% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,8%, com recuo de 36 pontos-base ante 14,155%.

 

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