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Chanceler iraniano contraria comunicação oficial e diz revisar proposta dos EUA sobre guerra

Chanceler iraniano contraria comunicação oficial e diz revisar proposta dos EUA sobre guerra

Abbas Araghchi, no entanto, afirma que mensagens trocadas através de intermediários não são uma negociação

Por Guilherme Botacini/Folhapress

25/03/2026 às 20:05

Atualizado em 25/03/2026 às 20:07

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Chanceler iraniano contraria comunicação oficial e diz revisar proposta dos EUA sobre guerra

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta-feira (25) que a proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra está sendo avaliada por autoridades da República Islâmica em Teerã, embora mais cedo a TV estatal do país persa tenha dito que o regime havia rejeitado o plano americano.

O ministro iraniano disse também, no entanto, que trocas de mensagens através de mediadores "não significam negociações com os EUA". Ele afirmou que o regime não tem intenção de abrir diálogos diretos com Washington.

A declaração foi dada à TV estatal do país persa, e concede pela primeira vez sinal de materialidade às afirmações recentes do presidente Donald Trump de que a Casa Branca havia enviado a Teerã uma proposta para o fim do conflito, que se aproxima de um mês de duração.

Até aqui, o regime havia negado qualquer contato do tipo, mesmo via mediadores. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari, também em fala na TV estatal, disse mais cedo que Trump estava "negociando consigo mesmo" e negou a possibilidade de uma trégua no curto prazo.

Os EUA teriam enviado ao Irã um plano com 15 pontos através do Paquistão, mas a lista de propostas e demandas não foi publicamente discutida ou explicada por nenhum dos envolvidos. Araghchi disse que os EUA têm enviado mensagens por diferentes mediadores.

O chanceler iraniano afirmou ainda que os EUA falharam em proteger países vizinhos a despeito de possuírem bases militares na região. Parte importante da estratégia de reação de Teerã após os ataques foi atingir nações árabes do Golfo que se encaixam nessa descrição, casos de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Kuwait e Iraque.

Araghchi também disse que o Irã deseja um fim permanente para o conflito e compensações pela destruição causada pelos ataques de EUA e Israel.

Segundo a agência Reuters, citando seis fontes anônimas familiarizadas com a posição diplomática iraniana atual, uma das condições delineadas por Teerã é que qualquer cessar-fogo seja estendido para o Líbano, hoje alvo de ataques e ocupação por parte de Israel, que por sua vez é alvo de foguetes do grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo regime iraniano.

Embora com a comunicação caótica de costume, Trump tem feito movimentos de apelo a negociações, mantendo o discurso de que os EUA já venceram o conflito ao destruir a Marinha e a Aeronáutica iranianas, afirmação que não está distante da realidade no terreno das duas Forças iranianas após dezenas de aeronaves e navios atingidos na ofensiva.

No cômputo geral do conflito, no entanto, a retórica exagerada busca desviar a atenção da mudança da estratégia de comunicação da Casa Branca, que desde o início do conflito mudou seus objetivos e agora lida com a necessidade de reformular seus prazos em meio à persistência do regime iraniano a despeito da morte de suas principais lideranças.

Essa resiliência é operada em grande parte pela estratégia da República Islâmica de internamente haver descentralizado o esquema decisório e a localização de seus ativos militares e, externamente, de expandir o conflito com ataques a países árabes no Oriente Médio, elevando assim o custo de uma aliança com os EUA ao mesmo tempo em que bloqueiam o estreito de Hormuz, via marítima imprescindível para o mercado energético global.

De acordo com uma autoridade política de Teerã, citada como fonte da emissora iraniana Press TV, o regime estaria exigindo também o estabelecimento de mecanismos concretos para que eventual cessar-fogo não seja quebrado e o reconhecimento da soberania do Irã sobre o estreito.

O bloqueio iraniano da via marítima tem sido a pedra no sapato de Trump, uma vez que responde por 20% do trânsito global de petróleo e tem catapultado preços e incertezas na medida, com efeitos inflacionários já precificados em análises de mercados em todo mundo.

Há ainda cartas na manga do republicano, embora todas elas tenham riscos e custos políticos elevados. Uma das principais, aventada e nunca efetivamente descartada pelo governo Trump, é o envio de tropas ao terreno.

O Pentágono ordenou o deslocamento para o Oriente Médio de cerca de 2.000 paraquedistas, o que sugere ao menos a consideração dessa opção pelo presidente. Há ainda cerca 4.500 fuzileiros navais já a caminho da região.

Entretanto não está claro quais de fato seriam as ações dessas forças terrestres. Há a possibilidade de ocupação da ilha de Kharg, pequeno território no Golfo pelo qual passa quase a totalidade das exportações de petróleo do Irã e que já teve dezenas de alvos militares bombardeados pelos EUA no conflito.

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