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Banco Central terá de decidir juros em cenário incerto, diz Henrique Meirelles

Banco Central terá de decidir juros em cenário incerto, diz Henrique Meirelles

Por Matheus dos Santos, Folhapress

17/03/2026 às 14:35

Atualizado em 17/03/2026 às 15:09

Foto: Vanessa Carvalho/Lide/Arquivo

Imagem de Banco Central terá de decidir juros em cenário incerto, diz Henrique Meirelles

O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles durante a Lide Brazil Conference, em Nova York

O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles afirmou que a autoridade monetária enfrenta um ambiente de incertezas na tomada de decisão desta quarta-feira (18) sobre a taxa básica de juros. Segundo ele, o conflito no Irã tem elevado a insegurança internacional, com temor de um repique inflacionário global diante de possíveis interrupções no fluxo de petróleo.

"Uma alta no preço do petróleo eleva o custo do transporte, o que afeta praticamente toda a economia e pressiona as expectativas de inflação. O Banco Central terá de atuar em um cenário de maior indefinição. Se isso levará a um corte de 25 pontos percentuais ou a uma postura mais cautelosa, com manutenção da taxa, ainda não é possível afirmar com segurança", disse, em conversa com jornalistas no Global Invest Day, evento da Nomad.

Segundo o também ex-ministro da Fazenda, as decisões de política monetária dependerão da duração do conflito e de como ficará o fluxo de comércio no estreito de Hormuz. "Não é razoável exigir previsões precisas do Banco Central. A autoridade monetária terá de agir dentro de um ambiente de incerteza", afirmou.

Economistas já admitem a possibilidade de o Copom manter a taxa básica de juros em 15% por mais uma reunião. Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o banco XP afirmou acreditar na manutenção da Selic em 15% na reunião desta semana.

Outros apostam em uma redução de 0,25%. Como mostrou o boletim Focus, do Banco Central, analistas esperam que o Copom decida reduzir a taxa de 15% para 14,75%. Até a semana passada, a expectativa era que a Selic caísse para 14,5%.

Os temores fizeram com que o Tesouro Nacional recomprasse R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados e R$ 15,4 bilhões em títulos IPCA+ (indexados à inflação), em uma intervenção no mercado depois de uma escalada nos juros futuros.

Meirelles foi presidente do Banco Central entre 2003 e 2011, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, e ministro da Fazenda no governo Michel Temer, entre 2016 e 2018.

O ex-chefe da área econômica também defendeu uma "revisão corajosa" dos benefícios sociais, para além dos pentes-finos feitos pelo governo atual. Meirelles afirmou ainda que o melhor benefício social é o emprego gerado pelo setor privado.

"Como costumo dizer, o melhor programa social é o emprego. Ele dá condições para que a pessoa não apenas contribua para a produção do país, mas também tenha uma renda maior do que aquela obtida apenas por meio de benefícios fiscais, que, em última instância, não são sustentáveis no longo prazo", disse.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre

1 Comentário

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Bruna Souza

17/03/2026

13:11

Faz o L Meireles. kkkkk
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