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Amiga de Lulinha recebeu R$ 4,1 milhões de empresário do esquema que derrubou ministro, aponta Coaf
Amiga de Lulinha recebeu R$ 4,1 milhões de empresário do esquema que derrubou ministro, aponta Coaf
Defesa da empresária disse que pagamentos são por ‘regular prestação de serviços’, mas afirmou que não iria comentar o teor dos serviços prestados
Por Aguirre Talento/Vinícius Valfré/Gustavo Côrtes/Estadão
18/03/2026 às 20:50
Atualizado em 18/03/2026 às 20:47
Foto: Reprodução Instagram
Roberta Luchsinger, amiga do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A empresa de consultoria de Roberta Luchsinger, amiga do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que entrou na mira das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), recebeu pagamentos de R$ 4,1 milhões de empresas que pertencem a um empresário do Maranhão acusado anteriormente de fraudes em licitações e outros delitos contra a administração pública.
Os dados foram registrados em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado aos órgãos de investigação.
A defesa de Roberta afirmou que os pagamentos são por uma “regular prestação de serviços” de suas atividades privadas e disse que não têm relação com os fatos do INSS. Os advogados optaram por não dizer quais foram os serviços.
“As transferências ora apontadas, oriundas de sua regular prestação de serviço, são recebimentos que não guardam qualquer relação, ainda que remota, com o caso. Pelo contrário, são movimentações relativas à sua atividade privada e não devem ser alvo de devassa pública no âmbito social e mesmo no âmbito judicial, o que representaria clara prática do que é comumente chamado de fishing expedition”, afirmou (leia a íntegra da nota ao final).
Procurada, a defesa de Lulinha disse que a investigação da Polícia Federal está realizando uma “pesca probatória” sobre os alvos e que isso é um “fato estranho aos autos”. Afirmou ainda que Roberta é uma empresária e que Fábio não tem relação com esses recebimentos.
O empresário que fez pagamentos a Roberta Luchsinger é Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP ou Eduardo Imperador, empresário que já foi alvo de diversas operações da Polícia Federal. Ele é réu em ações penais, mas nunca foi condenado. Procurado, ele não respondeu sobre os motivos da contratação de Roberta.
Eduardo DP foi preso na investigação sobre desvio de emendas enviadas à Codevasf que resultou no oferecimento de denúncia contra o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho. Ele é acusado de pagar propinas para conseguir obras no município de Vitorino Freire (MA), reduto de Juscelino, para a Construservice, outra empreiteira da qual Eduardo aparece como sócio oculto.
A Construservice foi contratada pela prefeitura, administrada pela irmã de Juscelino, para asfaltar uma estrada de terra que passa em frente à fazenda do ministro.
De acordo com o relatório do Coaf, obtido pelo jornal O Estado de São Paulo, a EDP Infraestrutura e Pavimentação pagou R$ 2,2 milhões à RL Consultoria e Intermediações, em um período entre setembro de 2024 e março de 2025.
Além disso, uma segunda empreiteira do Maranhão, que é apontada em relatórios da Polícia Federal como também controlada por Eduardo DP, a Pentágono Comércio e Engenharia, também transferiu R$ 1,9 milhão para Roberta nesse período.
Ao todo, portanto, empresas ligadas a Eduardo Imperador repassaram R$ 4,1 milhões à consultoria de Roberta Luchsinger.
Esses fatos não estão ligados às fraudes no INSS. As duas empreiteiras possuem contratos com prefeituras do Maranhão e de outros estados. Mas, conforme as investigações da PF, Roberta Luchsinger se apresentava como lobista com acesso a órgãos públicos do governo federal.
Ela é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e foi responsável por apresentá-lo ao empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, acusado de chefiar um esquema de desvios de aposentadorias. Após esse contato, Lulinha teve uma viagem a Lisboa paga pelo Careca do INSS para conhecer um projeto de implantação de uma fábrica de canabidiol medicinal. Sua defesa nega irregularidades e diz que Lulinha não recebeu pagamentos nem fechou negócios com o empresário.
Movimentação milionária
No período de setembro de 2024 a maio de 2025, as contas da consultoria de Roberta receberam R$ 19,4 milhões e transferiram R$ 18,8 milhões, de acordo com os dados do Coaf.
Os repasses das duas empreiteiras do Maranhão ligadas a Eduardo DP estão entre os maiores feitos à conta dela. O Coaf ainda identificou um depósito de R$ 650 mil em dinheiro vivo feito em uma agência em São Luís (MA).
Também nesse período, ela recebeu R$ 1,1 milhão do Careca do INSS. Segundo a PF, os pagamentos seriam referentes à intermediação de contatos com o governo federal para uma tentativa do Careca do INSS de vender um projeto de canabidiol medicinal para o governo.
Agência de viagens sob investigação
A Polícia Federal investiga se recursos provenientes do desvio de aposentadorias do INSS tiveram como beneficiária uma agência de viagens usada por Fábio Luís.
O caminho do dinheiro foi detectado na análise das transferências bancárias do Careca do INSS para a empresária Roberta.
A defesa de Lulinha afirmou que essa agência é responsável por emitir todas as viagens da empresária Roberta Luchsinger e da família dela e que as afirmações da PF seriam mais uma tentativa “indevida” de incriminar o filho do presidente. Disse ainda que Lulinha se colocou à disposição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para prestar esclarecimentos e reiterou não ter relação direta nem indireta com os fatos investigados sobre o INSS.
Com a palavra, o advogado Bruno Salles, da defesa de Roberta Luchsinger
As informações publicadas na matéria sobre as informações financeiras de Roberta Luchsinger (e, portanto, sigilosas), relativas a transferências para uma agência de viagem, bem como as informações cujos esclarecimentos foram solicitados para a presente matéria, são oriundas de uma Relatório de Análise Judiciária, elaborado por dois Agentes de Polícia Federal, que examinou os RIFs (Relatórios de Análise Financeira) de Roberta e de sua empresa, a RL Consultoria. Trata-se de documento altamente sigiloso e que foi vazado criminosamente, provavelmente, pesa dizer, por agentes públicos. Embora Roberta e seus representantes tenham esclarecidos uma série de pontos relativos à supostas ligações com o “Caso INSS”, as transferências ora apontadas, oriundas de sua regular prestação de serviço, são recebimentos que não guardam qualquer relação, ainda que remota, com o caso. Pelo contrário, são movimentações relativas à sua atividade privada e não devem ser alvo de devassa pública no âmbito social e mesmo no âmbito judicial, o que representaria clara prática do que é comumente chamado de fishing expedion. Assim sendo, a defesa de Roberta se reserva ao direito de não comentar assuntos atinentes a esfera eminentemente privada da sua empresa e que não são alvo de qualquer tipo de investigação, salientando que o vazamento dos documentos retromencionados será alvo de nova representação ao Supremo Tribunal Federal, para apuração de seus responsáveis.
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