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Alta nas pesquisas faz Flávio Bolsonaro adiar divulgação de plano de governo

Alta nas pesquisas faz Flávio Bolsonaro adiar divulgação de plano de governo

Campanha planejava anunciar diretrizes para economia, segurança e outras áreas no dia 30 para atrair apoio do mercado financeiro

Por Raphael Di Cunto/Thaísa Oliveira/Carolina Linhares/Folhapress

18/03/2026 às 19:15

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Arquivo

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adiou a divulgação de seu plano de governo para a Presidência. A campanha planejava anunciar as linhas gerais do programa no próximo dia 30, durante um evento em São Paulo, mas a estratégia foi reavaliada, segundo aliados, diante do crescimento dele nas pesquisas e para evitar que as propostas sejam usadas para atacá-lo.

O documento terá diretrizes para economia (sobretudo a área fiscal), educação, segurança hídrica e terras indígenas. Aliados defendem, no entanto, que a divulgação ocorra apenas no período de escolha e registro das candidaturas, entre 20 de julho a 5 de agosto, mas esse prazo ainda pode ser revisto se surgirem novos fatos na pré-campanha que justifiquem o lançamento do programa.

Na visão de integrantes da campanha, Flávio vive um bom momento, com alta nas pesquisas e lançamento de candidatos aliados nos estados, e que não há a necessidade de um fato novo, como a divulgação das diretrizes do programa —que poderia atrair apoio do mercado, mas também causar ruídos.

A mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada em 7 de março, mostrou Flávio empatado tecnicamente com Lula (PT) em simulação de segundo turno: o presidente tem 46% ante 43% do rival.

Inicialmente, a oposição planejava usar o plano de governo para mostrar que Flávio é um candidato consistente e que chegaria ao poder mais preparado do que o pai, com um programa claro do que seria feito nos primeiros dias. O exemplo usado na campanha é a gestão de Javier Milei na Presidência da Argentina, mas com um plano menos radical.

O plano de governo serviria, na visão inicial do PL, para dar tração à pré-candidatura do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi escolhido pelo pai como sucessor apesar da resistência do centrão, do agronegócio e do mercado financeiro, que preferiam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fosse o candidato da direita.

O documento está sendo desenhado há cinco meses, com consulta a especialistas e formatação pela consultoria GO Associados. O grupo é liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), com coordenação do ex-deputado tucano e engenheiro Eduardo Cury, pré-candidato a deputado federal pelo PL. O cardápio elenca medidas com apelo popular e outras com diagnóstico sobre problemas a serem enfrentados.

A ideia original do plano, além de fazer promessas de cunho eleitoral, é tratar de temas difíceis, como o déficit da Previdência, deficiências na reforma tributária e a legislação trabalhista, para que a campanha receba um aval da população para propor reformas nessas áreas caso Flávio seja eleito.

A avaliação, no entanto, é de que Flávio já cresceu nas pesquisas o suficiente para tornar sua candidatura um fato consumado, o que demoveu apoiadores de Tarcísio da ideia de que o governador ainda pudesse se candidatar à Presidência —o prazo para que renuncie ao cargo com este objetivo acaba em 4 de abril.

Apresentar o plano de governo neste cenário, afirmam dois interlocutores da campanha, só servirá para que o pré-candidato seja atacado pelo PT. Um dos exemplos foi a exploração pela esquerda de declarações do coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), sobre a necessidade de revisitar as reformas da Previdência e trabalhista.

"O modelo está estourando. Só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo", afirmou, em entrevista à Folha há duas semanas.

As falas foram usadas por nomes de esquerda para se contratar à pré-candidatura da oposição. "O plano de governo de Flávio Bolsonaro é atacar trabalhador e aposentado", diz um dos vice-líderes do governo Lula na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), em vídeo divulgado nas redes sociais.

Para evitar dar munição a Lula, a coordenação da campanha decidiu postergar a divulgação do programa.

Marinho afirma que Lula ainda não apresentou seu plano para um novo mandato. "A ministra [do Planejamento] Simone Tebet disse em 2025, quando da apresentação da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], que o arcabouço fiscal aprovado em 2023 já estava falido e que o governo só divulgaria um novo regime depois da eleição. Por que temos que apresentar o nosso agora?", questiona. "Um plano de governo precisa ser confrontado com o outro".

Além disso, de acordo com interlocutores da campanha, o pré-candidato do PL ainda não tomou conhecimento de todas as propostas e teve a primeira reunião para discutir o plano de governo apenas na segunda-feira (16). O esforço no momento é a construção dos palanques regionais, com o fim da janela para escolha de partido no próximo dia 4.

O crescimento do senador nas pesquisas também fez com que especialistas e políticos antes "em cima do muro" já demonstrassem mais disposição para apoiá-lo. Essas contribuições também devem ser incorporadas ao plano de governo, o que demandará mais tempo para discussão.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre

1 Comentário

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Nilson

18/03/2026

17:53

Caio no colo de Flávio bolsonaro a eleição.
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