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'Polícia negligenciou linha de investigação', afirma defesa de delegado réu no caso Marielle

'Polícia negligenciou linha de investigação', afirma defesa de delegado réu no caso Marielle

Advogado de Rivaldo Barbosa afirma que Ronnie Lessa buscou proteger ex-vereador, que nega envolvimento

Por Italo Nogueira/Isadora Albernaz/Folhapress

24/02/2026 às 18:45

Foto: Antonio Augusto/STF

Imagem de 'Polícia negligenciou linha de investigação', afirma defesa de delegado réu no caso Marielle

Primeira Turma do STF julga acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ)

A defesa do delegado Rivaldo Barbosa afirmou nesta terça-feira (24) que a Polícia Federal negligenciou outra linha de investigação para esclarecer a ordem para a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). O caso está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado Marcelo Ferreira listou o que chamou de mentiras do delator Ronnie Lessa, o ex-PM que confessou ter matado a vereadora e o motorista Anderson Gomes. Na versão da defesa de Rivaldo, houve uma suposta tentativa de proteger o ex-vereador Cristiano Girão, que chegou a ser investigado como possível mandante do crime.

"Não é nosso papel ficar acusando ninguém. Meu dever aqui é defender. Mas tenho que defender que existe uma linha de investigação que a PF negligenciou deliberadamente. Isso não foi levado adiante", disse Ferreira.

As defesas dos acusados no STF afirmam que Lessa protege Girão ao dizer que não o conhece. Contudo, o Tribunal de Justiça condenou no ano passado o ex-PM por um homicídio supostamente encomendado pelo ex-vereador, contrariando os termos da colaboração.

O ataque à delação do ex-PM se deve ao fato da versão ser a base de boa parte das informações sobre o planejamento do crime que constam na denúncia. Ferreira afirma que Lessa também mentiu sobre a origem e destino da submetralhadora MP-5 usada no crime.

A defesa de Girão sempre negou envolvimento no crime e atribui a acusação a uma estratégia dos advogados dos réus no STF.

Rivaldo é acusado de ter sido consultado antes do crime pelo ex-deputado Chiquinho Brazão e o irmão, Domingos Brazão, acusados de encomendar os assassinatos. O delegado teria orientado que o homicídio não fosse cometido em trajeto que tivesse a Câmara Municipal como destino ou origem. O objetivo seria dificultar o esclarecimento do caso, segundo a acusação.

O advogado Felipe Dalleprane, que também defende Rivaldo, disse que a PGR (Procuradoria-Geral da República) faz ilações sobre seu envolvimento no planejamento da morte Marielle a partir dos cargos que ele ocupou.

Durante a sustentação oral na corte, os advogados afirmaram que a acusação não apontou qualquer motivação do ex-chefe de Polícia Civil para participar da trama. Segundo a defesa, não foi comprovado casos de corrupção por parte de Rivaldo.

"Não há um ato concreto específico, uma conduta voluntária do Rivaldo. O que há é ilação a partir dos cargos que ele ocupou: delegado-chefe da DHC, diretor de Divisão, chefe de Polícia. Só que isso não é prova", afirmou Dalleprane.

"Não há motivação direta, não há corrupção comprovada, não há ingerência confirmada, não há vantagem ilícita provada, não há testemunho confiável vinculante. Quando a presunção tenta ocupar o lugar da prova, o único resultado legal e possível é a improcedência da denúncia", disse Dalleprane. A filha de Rivaldo disse acreditar na absolvição.

A acusação da Procuradoria diz que ficou clara a interferência de Rivaldo em investigações dentro da Delegacia de Homicídios, entre as quais a do caso Marielle, tema da segunda denúncia oferecida contra o delegado no último dia 13.

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