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Moraes reage a pressão sobre ministros por código de conduta e fala em 'demonização de palestras'
Moraes reage a pressão sobre ministros por código de conduta e fala em 'demonização de palestras'
Na primeira sessão plenária do STF em 2026, ministro negou que magistrados julguem casos com os quais tenham relação pessoal
Por Luísa Martins/Folhapress
04/02/2026 às 17:55
Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
Em meio às discussões sobre a implementação de um código de conduta no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Alexandre de Moraes negou que magistrados da corte julguem casos com os quais tenham relação pessoal e disse que a opinião pública "passou a demonizar palestras".
"Não há carreira pública com tantas vedações como a magistratura. A magistratura não pode fazer mais nada além do magistério e das palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades", disse.
O ministro afirmou que as regras de impedimento e suspeição são claras no âmbito do Supremo e que "o magistrado, desde o juiz de Aguaí [município de São Paulo] até o STF, está impedido de julgar qualquer caso que tenha, em qualquer das partes, advogados que sejam seus parentes".
Essa é a primeira manifestação pública do ministro sobre o assunto desde a eclosão da crise do Banco Master, que colocou o tribunal sob pressão. O escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões com a instituição financeira para representá-la na justiça.
Também no centro da crise devido a negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado ao Master, o ministro Dias Toffoli defendeu a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que prevê regras para o uso de redes sociais por magistrados, dizendo são normas "de autolimite, de autocontenção".
Relator da investigação sobre o Banco Master, Toffoli tem tido sua conduta questionada desde que viajou de jatinho com um dos advogados da causa, impôs um severo regime de sigilo ao processo e proferiu uma série de decisões que causaram mal-estar com a PF (Polícia Federal).
Os desgastes levaram o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, a intensificar a campanha por um código de ética para ministros das cortes superiores, designando a ministra Cármen Lúcia como relatora. Na calculadora de expectativas de Fachin, tanto Toffoli quanto Moraes são da ala contrária à fixação das diretrizes.
Apesar disso, ambos se manifestaram pela validade da resolução do CNJ, editada em 2019 fundamentalmente para evitar manifestações de cunho político-partidário por magistrados na internet. Moraes, relator da ação, votou oficialmente, enquanto Toffoli fez um breve comentário, mas ainda não se manifestou de forma oficial.
Até o momento, seguiram o relator os ministros Kassio Nunes Marques, Cristiano Zanin e André Mendonça, além da ministra aposentada Rosa Weber, que deixou registrado o seu posicionamento antes de deixar a corte, em 2023. Por esse motivo, o ministro Flávio Dino, que a substituiu, não participará do julgamento.
O presidente do STF interrompeu o julgamento para que seja continuado quando o ministro Luiz Fux se recuperar da pneumonia que o acometeu nos últimos dias. Além de Fux e Toffoli, faltam votar a ministra Cármen Lúcia, o ministro Gilmar Mendes e o próprio Fachin.
A expectativa era de que o julgamento sobre as regras para publicações de juízes nas redes sociais, que acontece nesta quarta-feira no plenário do Supremo, fosse aproveitado por ministros para passar, ainda que indiretamente, recados sobre o código de conduta.
A ação contra a resolução do CNJ foi escolhida por Fachin como o primeiro item da pauta de 2026 como forma de manter o assunto da ética pública vivo no tribunal. Outros julgamentos que tangenciam esse tema estão previstos para março, como processos que discutem penduricalhos nos salários de juízes e procuradores estaduais.
