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Homem que tentou assassinar Trump antes das eleições é condenado à prisão perpétua
Homem que tentou assassinar Trump antes das eleições é condenado à prisão perpétua
Ryan Routh, de 59 anos, lamentou não ter recebido a pena de morte e chamou a si mesmo de 'um fracasso'
Por Folhapress
04/02/2026 às 21:30
Foto: Divulgação
Ryan Routh, homem que tentou matar Trump em 2024
O homem que se escondeu em uma mata com um fuzil para tentar matar Donald Trump na Flórida meses antes das eleições de 2024 foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (4). Ryan Routh, 59, foi considerado culpado por um júri popular em setembro do ano passado de cinco acusações criminais, incluindo tentativa de assassinato.
Routh recusou ser representado por um advogado e defendeu a si próprio no julgamento, apesar de não ter formação em direito. A juíza federal Aileen Cannon, indicada ao cargo por Trump, proferiu a sentença em Fort Pierce, na Flórida.
"Está claro para mim que você se envolveu em um complô premeditado e calculado para tirar uma vida humana", disse Cannon. Algemado nas mãos e vestindo uniforme prisional bege, Routh fez um discurso confuso na audiência de sentença que não abordou nenhum fato do caso, mas se concentrou em guerras estrangeiras iniciadas pelos Estados Unidos e no desejo de Routh de ser trocado por prisioneiros políticos no exterior.
Os promotores haviam recomendado prisão perpétua, enquanto Routh havia pedido à juíza que impusesse uma pena de 27 anos. Em sua fala, o homem chamou a si mesmo de fracasso, disse que sua sentença era "totalmente sem importância" e lamentou que "infelizmente, a pena de morte não é uma opção".
A secretária de Justiça do governo Trump, Pam Bondi, escreveu em comunicado que Routh nunca mais voltará à sociedade. "A hedionda tentativa de assassinato do presidente Trump por Ryan Routh não foi apenas um ataque ao nosso presidente —foi um ataque direto contra todo o nosso sistema democrático", disse Bondi.
Em documento judicial anterior, Routh negou que pretendia matar Trump e disse que estava disposto a se submeter a tratamento psicológico para um transtorno de personalidade na prisão. Routh sugeriu que os jurados foram enganados sobre os fatos do caso devido à sua incapacidade de montar uma defesa legal adequada no julgamento.
O promotor John Shipley disse durante a audiência que os crimes de Routh visavam "subverter a democracia americana" e pediu a Cannon que enviasse uma mensagem de que a violência política é inaceitável.
Ao proferir a sentença, Cannon observou a "extrema gravidade" dos crimes de Routh e disse que sua ficha criminal com pelo menos 36 condenações anteriores —incluindo posse de um dispositivo de destruição em massa, posse ilegal de arma de fogo e furto— mostrava que Routh tinha um longo histórico de ignorar as normas sociais.
Routh, que na época de sua prisão residia no Havaí depois de ter vivido anteriormente na Carolina do Norte, também foi condenado por três acusações de posse ilegal de armas de fogo e uma acusação de obstruir um agente federal durante sua prisão.
Agentes do Serviço Secreto avistaram Routh escondido em arbustos a algumas centenas de metros de onde Trump jogava golfe no Trump International Golf Club em West Palm Beach em 15 de setembro de 2024. Routh fugiu do local e deixou para trás um rifle semiautomático, mas foi preso posteriormente.
O caso ocorreu em um contexto de escalada da violência política nos EUA. Em 2024, Trump sofreu dois atentados durante a campanha à Casa Branca. Um deles deixou o republicano ferido na orelha.
Políticos democratas também foram alvos: em abril de 2025, a casa do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, foi incendiada enquanto sua família estava dentro; em junho do ano passado, uma deputada estadual de Minnesota, Melissa Hortman, e seu marido foram assassinados, e um senador estadual e sua esposa baleados.
