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Governo Lula revoga decreto de hidrovias na amazônia após um mês de protestos de indígenas

Governo Lula revoga decreto de hidrovias na amazônia após um mês de protestos de indígenas

Reunião em Brasília, nesta segunda-feira (23), encerrou a queda de braço

Por Jorge Abreu/Folhapress

23/02/2026 às 19:30

Atualizado em 23/02/2026 às 21:25

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Governo Lula revoga decreto de hidrovias na amazônia após um mês de protestos de indígenas

Manifestantes acampam desde o dia 22 de janeiro na sede da Cargill em Santarém (PA)

Os indígenas que se opõem ao plano de hidrovias em rios da amazônia receberam, nesta segunda-feira (23), o anúncio da revogação do decreto 12.600/2025 quando faziam um ritual sagrado, em frente à sede da Cargill em Santarém (PA). O grupo acampa no terminal portuário da empresa do agronegócio, em protesto, há mais de um mês, desde o dia 22 de janeiro.

Os manifestantes pediam o fim do projeto, assinado pelo presidente Lula (PT), que incluía hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). Ao longo do mês, o número de pessoas no ato aumentou e chegou a 1.200, segundo a organização.

A revogação gerou comoção entre os indígenas, que veem o decreto como uma privatização dos rios e temem os efeitos da dragagem dos cursos d'água.

Eles percorreram a parte externa da Cargill em marcha, com cânticos e gritos. Muitos deles se emocionaram e se abraçaram entre si. A expectativa é finalizar o acampamento nos próximos dias, após a formalização da decisão no Diário Oficial da União.

Nesta segunda, uma reunião em Brasília com representantes dos povos da região do Baixo Tapajós, no oeste do Pará, e do governo federal resultou na revogação do decreto, a principal pauta do movimento.

O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulous (PSOL), confirmou a revogação em postagem nas redes sociais. "Anunciamos a decisão do governo Lula de revogar o decreto 12.600, após me reunir hoje com os povos indígenas do Tapajós, Tocantins e Madeira. Este governo tem capacidade de escuta do povo, inclusive para rever decisões quando necessário", escreveu.

Boulos afirmou que a decisão será publicada na próxima edição do Diário Oficial da União.

Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, classificou a decisão como "muito importante".

"Hoje [segunda-feira] tomamos aqui uma decisão muito importante nesse diálogo com o presidente Lula, que mesmo em viagem [à Ásia] escutou, dialogou com a gente para que a gente pudesse rever essa decisão", disse Guajajara.

"Os indígenas estão aqui [em Brasília] pela segunda vez em 33 dias de ocupação com mulheres, crianças, que seguem lá acampadas, com condições precárias, riscos, ameaças. Então foi muito importante a gente também considerar essa questão humanitária", completou.

O cacique Gilson Tupinambá, em Santarém, foi um dos que festejaram a decisão. "Nós lutamos contra a gigante Cargill, mas eles se enganaram, porque gigante somos nós. A nossa luta é ancestral. Essa terra aqui é sagrada. E hoje, com a nossa espiritualidade, nós conseguimos revogar o decreto de morte", disse à reportagem.

Desde a semana passada, os manifestantes enfrentavam a pressão de uma ordem judicial que determinava a desocupação do terminal portuário, concedida a pedido da empresa do ramo do agronegócio. Em resposta, eles adentraram a parte interna da Cargill, pela primeira vez, no sábado (21), o que elevou a tensão do ato.

Na última sexta-feira (20), também houve protesto de indígenas e representantes de movimentos sociais em frente ao escritório da Cargill em São Paulo.

A Cargill, em nota, classificou o ato em São Paulo e a entrada na sede em Santarém como "duas ações violentas". Os atos, segundo o comunicado, resultaram em vandalismo em ambos ativos da empresa.

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