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Governo do DF limita operações a R$ 6,6 bi e diminui imóveis em projeto para socorrer BRB

Governo do DF limita operações a R$ 6,6 bi e diminui imóveis em projeto para socorrer BRB

Principal mudança na lista foi retirada do parque do Guará, área de proteção ambiental

Por Nathalia Garcia/Folhapress

24/02/2026 às 18:15

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Governo do DF limita operações a R$ 6,6 bi e diminui imóveis em projeto para socorrer BRB

Sede do Banco de Brasília

O governo do Distrito Federal apresentou nesta terça-feira (24) à Câmara Legislativa uma nova versão do projeto de lei para socorrer o BRB (Banco de Brasília), com uma lista menor de imóveis oferecidos e um limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou com instituições financeiras.

O governo de Ibaneis Rocha (MDB) reduziu de 12 para nove a quantidade de imóveis oferecidos pelo DF, acionista controlador do BRB, para venda ou uso em garantia de empréstimos. A principal mudança na lista foi a retirada do parque do Guará, área de proteção ambiental.

Esse era um dos pontos mais controversos da proposta. As áreas do parque do Guará foram designadas como regiões de proteção integral no novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial, sancionado pelo governo do DF na última segunda (23).

Na nova versão do texto, foram acrescentadas propriedades da CEB (Companhia Energética de Brasília) e da CAESB (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), além de terem sido mantidos imóveis que pertencem à Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital) e à Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília).

O documento mais recente também não traz uma estimativa de valor do conjunto de imóveis indicados, assim como a versão anterior.

Alvo de polêmica, o Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal) foi mantido no projeto de lei. O complexo construído para alocar a sede do governo local está há 12 anos sem uso e passa por um impasse jurídico.

A primeira versão do projeto de lei foi enviada pelo governo do DF na última sexta (20), contendo medidas para capitalizar o BRB após prejuízos com ativos do Banco Master. Após resistências da oposição ao projeto, uma nova versão foi apresentada aos deputados distritais.

Nos bastidores, o texto é visto como um termômetro sobre a situação de Ibaneis na Casa.

Crítico ao projeto, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL) classifica a nova versão do texto como um "remendo". "Continua sendo um projeto muito mais comprometido a salvar o calendário eleitoral dos agentes políticos do que a salvar o BRB", afirmou.

"O projeto tem tantas dificuldades, ilegalidades e irregularidades que ele já foi mudado agora. Queriam votar o projeto hoje [terça] e no meio do colégio de líderes o projeto foi mudado. Não há condições de votar esse projeto agora. Projeto que não tem nem o cálculo de valor dessas áreas", disse.

A proposta autoriza a venda, a transferência e o uso dos imóveis públicos no Distrito Federal como garantia em empréstimos e para estruturação de fundos de investimento imobiliário. Segundo o texto mais recente, a alienação ou exploração econômica dos bens poderá ser realizada diretamente pelo DF ou pelo BRB.

O projeto de lei autoriza o Distrito Federal a adotar medidas destinadas à "recomposição, reforço ou ampliação do patrimônio líquido e do capital social" do banco.

De acordo com o texto, isso pode ser feito por meio de integralização de capital social, realização de aportes e outras formas de reforço patrimonial, inclusive com bens móveis ou imóveis; alienação prévia de bens públicos, destinados posteriormente para reforço patrimonial do BRB; e outras medidas que atendam às normas do sistema financeiro.

Nesse último trecho, foi incluída a menção a operações de crédito com o FGC ou instituições financeiras até o limite de R$ 6,6 bilhões.

"Infelizmente o projeto vem de novo mal-escrito, vem de novo mal-feito, vem de novo com vícios, que mostra que o governo tem desespero", criticou o deputado distrital Gabriel Magno (PT).

Para o líder do PT na Câmara Legislativa, deputado distrital Chico Vigilante, o projeto é uma "carta de intenções", que não resolve definitivamente a situação do BRB.

De acordo com os deputados, haverá na próxima segunda-feira (2) uma reunião com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para discutir a proposta. A expectativa é que o projeto de lei seja votado na semana que vem na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

"Vamos ter todo o tempo suficiente para discutir se vai entregar ou não vai. A gente vai discutir exaustivamente, ninguém vai fazer nada abruptamente", afirmou o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB).

"O que nós precisamos é salvar o nosso banco. É não deixar federalizar o banco", acrescentou.

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