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Enredo sobre Lula atrai desde estreantes no Carnaval a idosos que não pisam na Sapucaí há décadas

Enredo sobre Lula atrai desde estreantes no Carnaval a idosos que não pisam na Sapucaí há décadas

Por Bruna Fantti/Folhapress

03/02/2026 às 08:24

Foto: Ricardo Stcukert/Arquivo/PR

Imagem de Enredo sobre Lula atrai desde estreantes no Carnaval a idosos que não pisam na Sapucaí há décadas

Lula

Eram 22h quando o ensaio da Acadêmicos de Niterói terminou. Em coro, os foliões cantavam o jingle de campanha que, agora, virou refrão de Carnaval: "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula".

Aberto ao público, o ensaio, realizado na região metropolitana do Rio de Janeiro na quarta (28), reuniu, além de integrantes da escola, estreantes no samba e idosos que voltaram à Sapucaí após décadas, movidos pelo enredo em homenagem ao presidente.

É a primeira vez que um presidente em exercício é tema central de um enredo na elite do samba carioca. Getúlio Vargas (1882-1954), por exemplo, já foi tema da Portela, nos anos 2000. Para evitar caracterização de propaganda eleitoral antecipada, a escola adotou medidas como a criação de um grupo de advogados para auxiliar na construção do enredo e orientou os integrantes a se aterem exclusivamente ao samba, em razão das eleições de outubro.

O tema atraiu pessoas que nunca haviam pisado em uma quadra. Luiza Moretzsohn, 60, servidora pública do município de Tramandaí, no Rio Grande do Sul, estava de férias no Rio e decidiu visitar uma escola de samba pela primeira vez. Ela foi acompanhada dos pais, ambos com 89 anos.

"Em função do enredo e por ser apaixonada pelo Lula, vim conhecer a escola. Não vou conseguir desfilar, infelizmente, mas estou de férias e aproveitei para assistir ao ensaio", disse.

"É a primeira vez que estou em uma quadra de samba e estou adorando o enredo. Ele conta a história de um brasileiro que nasceu na pobreza e chegou onde chegou e que, se Deus quiser, irá para o quarto mandato", acrescentou.

Já Paulo Pimentel, 77, é veterano da Sapucaí. Afastado da avenida há 20 anos, decidiu voltar com um grupo de dez amigos. Questionado sobre o motivo do retorno, não hesitou: "Por causa do Lula, claro. Vou desfilar em uma ala. A maior biografia da história do país tem que ser homenageada", afirmou.

Pimentel disse que ajudou a fundar o PT em São Paulo e, em sua avaliação, não houve governo melhor.

Durante o ensaio, alguns integrantes da escola usavam óculos com estrelas vermelhas, em alusão ao partido do presidente, além de leques com fotos de Lula coladas ou impressas. O rosto do presidente também estampava diversas camisetas.

A baiana Vera Quintanilha, 52, afirmou que "a homenagem é digna, já que Lula ajudou muito os pobres". Também da ala de baianas, Ângela Lobo, 73, disse ser "gratificante saber que está participando de um enredo em homenagem ao Lula". Para ela, não há dúvidas de que a escola vencerá, "até pelo refrão fácil de cantar e porque todo brasileiro deveria torcer pelo país e pelo presidente que sempre fez de tudo para diminuir a desigualdade. ‘Tem filho de pobre virando doutor’, isso é formidável. Eu adoro", disse, cantando um trecho do samba.

Integrante da bateria, Ricardo Sampaio, 37, afirmou que Lula conquistou seu coração e seu voto pelo posicionamento adotado diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Tietado com pedidos de fotos, o trompetista Fabiano Leitão, conhecido por tocar a marcha fúnebre durante entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro, também participou do ensaio. Ele vai desfilar em uma ala e disse que foi convidado pelo presidente da escola, Wallace Palhares, que também é professor de história.

"O Wallace Palhares é um professor que está mudando a história do Carnaval do Brasil. Vamos falar sério: um cidadão que tirou o Brasil duas vezes do mapa da fome, por que nunca foi homenageado até hoje? Um professor de história está corrigindo o rumo da história", opinou o músico, que carregava o trompete.

Com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", a escola pretende abordar a trajetória de vida de Lula, da infância em Pernambuco à mudança para São Paulo e à atuação sindical, sem aprofundar a carreira política.

O presidente ainda não confirmou se irá à Sapucaí. Existe a possibilidade dele acompanhar o desfile no camarote da prefeitura do Rio, ao lado do aliado Eduardo Paes (PSD).

Técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União) recomendaram veto ao repasse de R$ 1 milhão em recursos federais à Acadêmicos de Niterói. A recomendação depende da chancela do relator Aroldo Cedraz para ser enviada ao Executivo.

O repasse é parte de um patrocínio mais amplo, firmado por meio da Embratur, de R$ 12 milhões às integrantes do Grupo Especial. Cada uma teria direito a R$ 1 milhão, segundo o acordo.

A recomendação veio depois de congressistas do partido Novo questionarem o repasse. De acordo com a manifestação da área técnica do tribunal, obtida pela Folha, a suposta irregularidade pode ferir princípios de impessoalidade, moralidade e indisponibilidade do interesse público. Haveria um desvio de finalidade dos recursos para "promoção de autoridades ou de servidores públicos".

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