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Com projeto de João Cláudio Bacelar, Câmara de Salvador articula reconhecimento legal de casamentos em religiões de matriz africana
Com projeto de João Cláudio Bacelar, Câmara de Salvador articula reconhecimento legal de casamentos em religiões de matriz africana
Por Reinaldo Oliveira
24/02/2026 às 10:39
Atualizado em 24/02/2026 às 12:22
Foto: Arquivo Política Livre
Plenário da Câmara de Salvador
Tramita na Câmara Municipal de Salvador o Projeto de Indicação nº 29/2026 que propõe ao Governo da Bahia o envio à Assembleia Legislativa de um Projeto de Lei para garantir o reconhecimento, para fins de registro civil, das cerimônias de casamento realizadas nos ritos das religiões de matriz africana.
A proposta, de autoria do vereador João Cláudio Bacelar (Podemos), busca suprir uma lacuna histórica no reconhecimento formal dessas celebrações religiosas. Embora a Constituição Federal assegure liberdade de crença e determine a proteção das manifestações culturais afro-brasileiras, casamentos celebrados em terreiros ainda não possuem previsão expressa de reconhecimento automático para efeitos civis, dependendo de procedimentos posteriores em cartório.
A movimentação ocorre em um contexto de crescente debate sobre racismo religioso e igualdade de direitos. A Bahia concentra o maior número de terreiros do país e milhares de comunidades tradicionais em atividade, mas não há dados oficiais consolidados sobre o número de uniões celebradas nesses ritos — um indicativo da invisibilidade institucional enfrentada por essas religiões ao longo das décadas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o reconhecimento formal teria impacto simbólico e jurídico relevante, ao equiparar as cerimônias de matriz africana a outros casamentos religiosos que já podem produzir efeitos civis mediante requisitos legais.
“O reconhecimento da legitimidade dos casamentos celebrados nesses ritos é uma medida de justiça histórica e de combate ao racismo religioso. A Bahia tem identidade profundamente ligada às religiões de matriz africana, e o Estado precisa assegurar igualdade de tratamento”, afirmou o vereador.
Por se tratar de matéria relacionada a registro civil, a competência legislativa é estadual. Por isso, o projeto aprovado na Câmara de Salvador tem caráter de indicação e solicita que o governador Jerônimo Rodrigues encaminhe proposta à Assembleia Legislativa da Bahia para regulamentar o tema.
Caso avance, a medida poderá representar um marco no reconhecimento institucional das tradições afro-brasileiras no estado.
2 Comentários
Adenilton Oliveira
•
24/02/2026
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10:25
Tiago Nascimento de Oliveira
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24/02/2026
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09:43
