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Câmara aprova tramitação em urgência para projeto sobre quebra de patente do Mounjaro
Câmara aprova tramitação em urgência para projeto sobre quebra de patente do Mounjaro
Autor do texto considera que projeto é 'uma grande ferramenta de saúde pública'
Por Laura Scofield/Folhapress
09/02/2026 às 20:45
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de urgência do PL (projeto de lei) que declara os medicamentos Mounjaro e Zepbound como de "interesse público", o que permite a quebra de suas patentes para a produção nacional.
O projeto foi aprovado por 337 votos favoráveis e 19 votos contrários. Apenas o Novo orientou a bancada contra o projeto. Para a deputada Adriana Ventura (NOVO-SP), o texto representa uma "violação direta ao direito de propriedade intelectual". A oposição liberou seus deputados a votarem como quisessem.
O projeto é de autoria do deputado Mário Heringer (PDT-MG), que considera a medida "uma grande ferramenta de saúde pública". O líder do PDT disse à reportagem que o PL "resolve problemas de uma gama de comorbidades relativas à obsessiva".
Os dois remédios têm como princípio ativo a tirzepatida e têm sido utilizados para emagrecimento.
Há uma disputa de lobbies no Congresso envolvendo outra caneta emagrecedora, o Ozempic.
A atual fabricante, Novo Nordisk, defende um projeto de lei que pode prorrogar em cinco anos seus direitos sobre o produto, enquanto farmacêuticas nacionais querem barrar a iniciativa para produzir suas próprias versões.
De acordo com a companhia, o órgão responsável pela análise de patentes teria permanecido em estado de inércia no processo por quase oito anos. O pedido inicial da empresa foi feito em março de 2006 e o registro foi concedido 13 anos depois, em março de 2019.
A empresa levou a argumentação à Justiça, mas o Superior Tribunal de Justiça barrou o pleito em novembro. A decisão manteve a data original do vencimento para março e abriu espaço para a entrada de versões mais baratas.
Agora, a empresa tenta mudar a situação no Congresso defendendo uma alteração na legislação. O tema está sendo discutido principalmente por meio do projeto 5810/2025, que prevê prorrogação de até cinco anos no prazo de patentes "sempre que houver comprovado atraso" cuja responsabilidade não seja da parte interessada.
