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BRB diz que fundador da Reag, investigado no caso Master, detém 4,5% do banco
BRB diz que fundador da Reag, investigado no caso Master, detém 4,5% do banco
O empresário João Carlos Falbo Mansur foi alvo das operações Carbono Oculto e Compliance Zero
Por Diego Felix/Folhapress
04/02/2026 às 17:15
Atualizado em 04/02/2026 às 21:11
Foto: Divulgação
João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos
O BRB (Banco de Brasília) atualizou seu formulário de referência junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e declarou que João Carlos Falbo Mansur, fundador e ex-presidente do conselho de administração da gestora Reag Investimentos, se tornou um de seus principais acionistas.
O empresário foi um dos alvos das operações Carbono Oculto, que investiga a participação do crime organizado no mercado financeiro, e Compliance Zero, que desvenda fraudes e irregularidades cometidas pelo Banco Master.
Ao todo, Mansur tem 4,5% do capital do BRB, sendo 1,8 milhão de ações ordinárias (0,5% das ações nesta classe), com direito a voto, e 20,3 milhões de ações preferenciais (12,2%).
Em nota, o BRB disse que encontrou achados relevantes em uma investigação independente e comunicou os detalhes para as autoridades.
"O BRB informa que, após encontrar achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar elaborado pela investigação independente contratada pelo banco junto ao escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, comunicou às autoridades competentes e fez as atualizações devidas na composição acionária do banco, conforme publicado em formulário de referência da CVM", disse.
Alvo de buscas nas operações da Polícia Federal, Mansur deixou o posto de CEO da Reag e vendeu o controle da gestora.
A Polícia Federal apura, por exemplo, a atuação de fundos de investimento geridos pela Reag que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Master.
Segundo o jornal Valor Econômico, no ano passado Mansur avaliou que estaria se formando um grande conglomerado financeiro de diversas regiões do país e começou a comprar ações do BRB. À época, o empresário considerava os ativos depreciados e com espaço para crescimento.
No formulário de referência do BRB, além de Mansur, também consta como acionista importante o fundo Borneo, com cerca de 3,1% do capital do banco. O fundo é gerido pela CBSF Trust, empresa que compunha o grupo Reag, atualmente liquidado pelo Banco Central.
O Borneo é um dos fundos apontados pelas autoridades como integrante de uma teia de participações ocultas do Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
Em meados de junho do ano passado, quando o BRB tentava comprar o Master, o banco atualizou seu formulário de referência anunciando a entrada do Borneo com 4,5% de participação. No final de 2024, o banco de Brasília fez uma expansão de capital mediante subscrição privada e havia a suspeita de que o grupo de Vorcaro tinha adquirido ações da instituição financeira em posse de acionistas que já estavam no BRB.
De acordo com o Valor Econômico, a Polícia Federal acredita que, no primeiro semestre do ano passado, o Borneo recebeu aporte do fundo Olaf 95 e montou sua entrada de capital no BRB. O Olaf 95 é peça central da engenharia de investimentos em fundos orquestrada por Vorcaro, segundo as investigações.
O BRB vai contratar uma empresa para a recuperação de ativos na tentativa de compensar eventuais perdas com a compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas do Master. Ações que estão em posse de fundos ligados a Vorcaro também devem ser alvo da medida.
