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Tarcísio diz que recusaria pedido de Bolsonaro para ser candidato à Presidência
Tarcísio diz que recusaria pedido de Bolsonaro para ser candidato à Presidência
Por Bruno Ribeiro, Folhapress
27/01/2026 às 16:16
Foto: João Valério/Divulgação/GovSP/Arquivo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse nesta terça-feira (27) que recusaria um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para disputar a Presidência caso um convite fosse feito durante o encontro que ambos devem ter na próxima quinta-feira (29).
"Isso [o pedido] não vai acontecer. Mas eu diria não", disse Tarcísio durante uma entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba concedida nesta manhã —o governador tinha uma visita marcada à fábrica da Toyota na cidade nesta tarde.
O governador disse que já havia discutido o assunto com o ex-presidente na última ocasião em que estiveram juntos. A conversa ocorreu durante uma visita, em setembro, à casa de Bolsonaro, que à época cumpria prisão domiciliar. Bolsonaro está agora na unidade da Papudinha, em Brasília, cumprindo pena em regime fechado por liderar a trama golpista que culminou nos ataques do 8 de Janeiro.
O encontro entre Tarcísio e Bolsonaro estava marcado para ocorrer no último dia 22, mas foi cancelado pelo governador após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo ex-presidente para concorrer à Presidência, dizer à imprensa que a visita serviria para Tarcísio ouvir que sua candidatura presidencial estava "descartada".
Tarcísio ficou incomodado com a fala e preferiu não ir ao encontro, segundo seus auxiliares, remarcando a visita para a semana seguinte.
Durante a entrevista, Tarcísio afirmou que, após a última visita a Bolsonaro, em 29 de setembro, ambos conversaram sobre eleições e que o governador teria dito que não gostaria de tentar a Presidência.
"É muito tranquilo isso [Não concorrer à Presidência] para mim", disse Tarcísio. "Na última visita que eu fiz ao Bolsonaro, e ele estava na prisão domiciliar, antes de ele vir para o regime fechado, ele me perguntou: ‘E aí, Tarcísio, eleição presidencial: qual é a sua posição?’ Eu digo: ‘Minha posição é ficar em São Paulo.’ Eu fui muito contundente, muito claro com ele com relação a isso, porque também eu precisava manter uma linha de coerência."
O governador disse que espera ter um "papo de amigo" com o ex-presidente no encontro desta quinta. "Na visita que eu vou fazer, o meu papo vai ser um papo de amigo. Eu vou falar de amenidades, vou ver se ele está precisando de alguma coisa, vou falar da solidariedade que eu tenho, do carinho que eu tenho por ele e do que a gente está fazendo aqui fora para tentar ajudá-lo."
Tarcísio disse ainda que não pretende falar de política no encontro.
"Todo mundo pensa assim: ‘Ah, você vai falar da eleição?’ Não, não costumo falar de eleição, não costumo falar de política com ele. Eu procuro sempre mostrar: ‘Olha, tô aqui do teu lado, a mão está estendida, né? Você foi um cara que me abriu uma porta importante, vai ter sempre a minha consideração. E aí é uma questão de amizade, é uma questão de valores e é isso que eu sempre defendi", disse.
O governador já disse que o próximo candidato à Presidência seria Bolsonaro (que está inelegível) "ou quem ele indicar", o que vinha sendo interpretado por uma série de aliados como uma brecha para que o próprio Tarcísio se colocasse na disputa.
Desde que cresceram as cobranças de bolsonaristas próximos a Flávio para que Tarcísio externasse apoio à candidatura presidencial do senador, o governador tem enfatizado que nunca disse, publicamente, que tinha intenção de concorrer ao cargo.
