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Focus: mercado volta a reduzir projeção para a inflação em 2026

Focus: mercado volta a reduzir projeção para a inflação em 2026

Por Marianna Gualter/Estadão Conteúdo

19/01/2026 às 10:02

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Focus: mercado volta a reduzir projeção para a inflação em 2026

Sede do Banco Central

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 caiu de 4,05% para 4,02%. A taxa está 0,48 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. Há um mês, era de 4,06% Considerando apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 4,00% para 4,02%.

A projeção para o IPCA de 2027 permaneceu em 3,80%, pela 11ª semana seguida. Considerando apenas as 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida também seguiu em 3,80%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,5% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no segundo trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Isso aconteceu após a divulgação do IPCA de junho. Em novembro, a inflação acumulada em 12 meses caiu a 4,46%, abaixo do teto. No último Relatório de Política Monetária (RPM), o BC reafirmou seu compromisso com a convergência da inflação ao centro da meta, de 3%.

“O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, diz o texto.

No Focus desta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2028 e 2029 permaneceram em 3,50%, pela 11ª e pela 20ª semana consecutiva, respectivamente.

Selic
A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%, pela quarta semana seguida.

Considerando só as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%. A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 49ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 subiu de 9,88% para 10,00%. Há um mês, estava em 9,75%.

Para o fim de 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, pela 12ª semana consecutiva.

Em dezembro, o Copom decidiu manter a Selic em 15% pela quarta vez seguida. A decisão veio em linha com a mediana do Focus para a Selic no fim de 2025, que permaneceu estável nesse nível por 24 semanas seguidas.

Na ata, o colegiado afirmou que “a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,80%, pela 6ª semana seguida. Considerando apenas as 39 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa caiu de 1,87% para 1,78%.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 também seguiu em 1,80%. Um mês antes, era de 1,81%. Considerando só as 30 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 1,80%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 97ª e pela 44ª semana seguida, respectivamente.

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,50 pela 14ª semana consecutiva. A projeção para a moeda no fim de 2027 também continuou em R$ 5,50 pela 12ª leitura seguida.

Para o fim de 2028, se manteve em R$ 5,52. Um mês antes, era de R$ 5,51. Já para 2029, seguiu em R$ 5,57. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,56.

A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

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