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Ex-marqueteiro de Zema diz que é ‘equívoco’ focar no voto ideológico em Minas

Ex-marqueteiro de Zema diz que é ‘equívoco’ focar no voto ideológico em Minas

Leandro Grôppo atribui o mau desempenho nas pesquisas à mudança de foco do governador

Por Leticia Fernandes/Estadão

18/01/2026 às 10:10

Foto: Reprodução

Imagem de Ex-marqueteiro de Zema diz que é ‘equívoco’ focar no voto ideológico em Minas

O publicitário Leandro Grôppo, ex-marqueteiro do governador de MInas Gerais, Romeu Zema (Novo)

Reeleito no primeiro turno em 2022 com 56% dos votos, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), está perdendo musculatura política. É o que diz o publicitário Leandro Grôppo, que fez as campanhas vitoriosas do mineiro em 2018 e 2022.

Ele atribui o mau desempenho do governador na pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira, 14, à mudança de foco de Zema, que teria passado a se preocupar mais com a ideologia e menos com a sua capacidade como gestor, atributo que o diferenciou nas duas eleições que venceu.

“Na campanha de 2022 usamos dois motes: ‘trem nos trilhos’, a ideia de botar a casa em ordem, e ‘primeiro Minas’. Essa promessa implícita, de um gestor responsável, perde espaço quando ele passa a assumir a imagem de políticos que só pensam em eleição”, avalia o marqueteiro à Coluna do Estadão.

Procurada, a assessoria de Romeu Zema citou entrevista recente do mineiro, na qual ele disse estar ‘felicíssimo’ com o resultado da pesquisa: “Não tenho medo de número pequeno, tenho medo é de quem não trabalha”.

Na primeira pesquisa Genial/Quaest do ano, Romeu Zema apareceu com apenas 2% das intenções de voto para o Palácio do Planalto, atrás dos quadros de direita Ronaldo Caiado (União), com 3%, Ratinho Junior (PSD), com 7%, e Flávio Bolsonaro (PL), que tinha 23% na ocasião.

Nas últimas eleições, o governador do segundo maior colégio eleitoral do país surfou na onda do voto ‘Luzema’, eleitores que votavam no presidente Lula e em Zema, que eram 40%, segundo Grôppo.

Na pesquisa da última semana, no entanto, ele apareceu com 0% dos votos entre lulistas, e com apenas 2% dos votos entre os bolsonaristas. Mesmo entre os que se dizem independentes ou integrantes da direita não-bolsonarista, o mineiro marcou apenas 3% dos votos.

“Em 2018 e 2022 a gente não foi pela ideologia e superamos a polarização num estado que votou majoritariamente para o Lula no primeiro e segundo turnos, porque o foco era a capacidade de gestão e resultado. É isso que o eleitor demanda de um presidente”, afirma o marqueteiro. E completou:

“A polarização existe, mas está murchando, o eleitor cansou disso. É um erro um candidato focar somente na ideologia, a não ser que você seja fruto dela, como os Bolsonaro”.

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