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EUA querem que países paguem US$ 1 bi para assento permanente no Conselho da Paz
EUA querem que países paguem US$ 1 bi para assento permanente no Conselho da Paz
Presidente americano convidou líderes mundiais para novo órgão, que também administrará a Faixa de Gaza
Por Folhapress
18/01/2026 às 07:20
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump
O governo Trump está pedindo aos países que desejam um lugar permanente em seu novo Conselho da Paz que contribuam com pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões na cotação atual).
De acordo com um esboço do estatuto do grupo, visto pela agência de notícias Bloomberg, Donald Trump seria o presidente inaugural do órgão e decidiria quem seria convidado como membro. As decisões seriam tomadas por maioria, com cada Estado-membro presente tendo um voto, mas todas estariam sujeitas à aprovação do presidente dos Estados Unidos.
"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor deste estatuto, sujeito à renovação pelo presidente. O mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em fundos em dinheiro para o Conselho da Paz dentro do primeiro ano da entrada em vigor do estatuto", diz o esboço.
Críticos manifestam preocupação de que Trump esteja tentando construir uma alternativa, ou rival, às Nações Unidas (ONU), que ele há muito tempo critica.
O conselho é descrito no estatuto como "uma organização internacional que busca promover estabilidade, restaurar governança confiável e legal, e garantir paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos". Ele se tornaria oficial assim que três Estados-membros concordassem com o estatuto.
Trump também seria responsável por aprovar o selo oficial do grupo, afirma o documento.
Procurados, funcionários da Casa Branca não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Trump convidou vários líderes mundiais, incluindo Javier Milei da Argentina e Mark Carney do Canadá, para fazer parte de um Conselho da Paz para Gaza, que seria formado sob o guarda-chuva mais amplo de seu novo Conselho de Paz.
Esse plano atraiu críticas do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que disse que os detalhes não foram coordenados com seu país.
Várias nações europeias foram convidadas a se juntar ao conselho de paz, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O esboço parece sugerir que o próprio Trump controlaria o dinheiro, algo que seria considerado inaceitável para a maioria dos países que podem se juntar ao conselho, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.
Diversos países se opõem ao esboço do estatuto de Trump e estão trabalhando de forma coletiva para resistir às propostas, acrescentaram as pessoas.
O Conselho da Paz convocaria reuniões para votação pelo menos uma vez por ano e "em momentos e locais que o presidente considere apropriados", diz o esboço do estatuto. A agenda estaria sujeita à aprovação de Trump. O órgão faria reuniões regulares sem votação com seu conselho executivo. Tais reuniões seriam convocadas pelo menos a cada trimestre.
Trump também teria o poder de remover um membro, sujeito a veto por uma maioria de dois terços dos Estados-membros. "O presidente deverá sempre designar um sucessor para o papel de presidente", diz o estatuto.
Na sexta-feira (16), a Casa Branca anunciou um primeiro painel executivo que incluiria o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, antes da formação do conselho geral.
