Dólar começa 2026 com forte queda; Bolsa também cai
Real segue toada positiva de 2025 no primeiro pregão do ano
Por Folhapress
02/01/2026 às 21:40
Atualizado em 03/01/2026 às 00:43
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Moeda americana encerrou esta sexta-feira (2) em desvalorização de 1,24%, a R$ 5,4198
O dólar teve forte queda ante o real no primeiro pregão do ano. A moeda americana encerrou esta sexta-feira (2) em desvalorização de 1,24%, a R$ 5,4198, com o real apresentando um dos melhores desempenhos entre as divisas globais, em meio a uma agenda econômica esvaziada e liquidez reduzida após o feriado de Ano Novo.
Com o menor volume de negócios, o desempenho da moeda acaba ficando mais volátil. No último pregão de 2025, na última terça-feira (30), a moeda norte-americana fechou em queda de 1,6%, aos R$ 5,488, acumulando perda de 11,19% no ano, sob o impacto, principalmente, do nível elevado dos juros no Brasil, que favoreceu a entrada de capital no país.
Nesta sexta, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$ 8,410 bilhões em dezembro até o dia 26. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$ 15,047 bilhões no período. Pelo canal comercial, o saldo do mês até o dia 26 foi positivo em US $6,637 bilhões.
Para 2026, a perspectiva dos analistas é de um cenário favorável para o real do ponto de vista externo, com a expectativa de corte nos juros dos Estados Unidos, mas com a disputa eleitoral impondo limites.
Já o Ibovespa abriu em alta, mas virou para queda e recuou 0,36%, a 160.539 pontos. O índice foi impactado pela queda da Petrobras, na esteira do declínio do petróleo no exterior, assim como de Minerva e MBRF, após a China impor restrições a importações de carne bovina.
O principal índice da Bolsa brasileira fechou 2025 com alta acumulada de 33,7%, a maior desde 2016, quando avançou 39%, num ano marcado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Estrategistas do BTG Pactual afirmaram esperar que as ações brasileiras tenham um bom desempenho no começo de 2026, apoiadas pela flexibilização dos ciclos monetários tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
"É verdade que devemos ver menos 'ventos favoráveis' vindo dos EUA, já que as taxas (de juros) devem permanecer estáveis no primeiro semestre de 2026, mas a redução das taxas no Brasil pode ser suficiente para continuar impulsionando os mercados locais", afirmaram Carlos Sequeira e equipe.
"Naturalmente, as próximas eleições e a política local devem trazer maior volatilidade aos mercados, especialmente no final do primeiro trimestre", acrescentaram em relatório com as recomendações para janeiro.
Na agenda econômica, foi divulgada a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria para dezembro, compilado pela S&P Global. No Brasil, ela apontou que a atividade industrial encerrou 2025 com a retração mais acentuada em três meses em dezembro, com redução da produção e das encomendas diante da fraqueza da demanda.
