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CVM apura desde 2022 operações da Reag com títulos de antigo banco de SC

CVM apura desde 2022 operações da Reag com títulos de antigo banco de SC

Por Nicola Pamplona, Folhapress

26/01/2026 às 13:20

Atualizado em 26/01/2026 às 17:57

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de CVM apura desde 2022 operações da Reag com títulos de antigo banco de SC

Empresa é ré em dois processos na autarquia, mas ainda não foi a julgamento

A Reag, administradora de fundos de investimento investigada no caso Banco Master, é ré em dois processos que investigam irregularidades em operações financeiras na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Uma terceira acusação foi encerrada em 2024 com o pagamento de multa ao órgão regulador do mercado de capitais.

Um dos processos abertos investiga irregularidades com a compra de títulos do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) pelos fundos. A segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada no dia 14, teve como alvo os fundos de investimento envolvidos no caso Banco Master.

Reportagem da Folha no início do mês mostrou que o Banco Master se utilizava de certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), as chamadas cártulas. Gestores dos fundos compravam esses títulos, que têm valor baixo, como se valessem milhões para inflar esses fundos, justificando retiradas para investimentos em outros fundos também da Reag.

A CVM não dá detalhes sobre os processos. A investigação que envolve as operações com títulos do Besc foi aberto em 2022 para apurar eventuais irregularidades em operações feitas por cinco fundos de investimento geridos pela Reag em 2020.

Esse processo tem sete réus: além da Reag e de seu controlador, João Carlos Mansur, estão na lista três outras gestoras de recursos —Monetar, Terra Investimentos e WNT— e duas outras pessoas, Marcelo de Macedo Soares e Silva (pela Monetar) e Rafael Barbosa Santos Coelho (pela WNT).

Em novembro de 2025, a CVM sorteou um diretor relator do processo, segundo as informações públicas, mas o julgamento ainda não foi marcado.

Monetar e Terra Investimentos disseram à Folha que apenas "prestaram serviços de administração fiduciária, sem participação na gestão ou decisão de investimentos dos fundos envolvidos, funções que competem ao gestor".

"As instituições não mantêm vínculo com as empresas citadas, não participaram de qualquer ato ilícito e não prestam serviços a fundos geridos pela Reag desde 2021", completaram, em nota enviada por sua assessoria de imprensa.

A reportagem entrou em contato com a WNT por e-mail e telefone, mas não obteve retorno. A Reag disse que demandas relativas à gestora Reag Investimentos deveriam ser encaminhadas à Arandu Investimentos, que também não retornou os pedidos da Folha.

O uso de títulos do Besc para inflar o patrimônio de fundos de investimento geridos pela Reag foi trazido à tona pela operação Compliance Zero, que mirou um esquema bilionário para desvio de recursos.

Segundo as investigações, o esquema começava com empréstimos feitos pelo Banco Master a empresas que aplicavam em fundos da Reag cujos patrimônios seriam maquiados com a aquisição de títulos com pouco valor de mercado.

O outro processo em que a Reag é ré na CVM foi aberto em 2024 para avaliar o descumprimento de divulgação de informações ao mercado quando um dos fundos administrados pela gestora adquiriu participação relevante na plataforma de serviços GetNinjas.

A Reag começou a comprar ações da empresa em 2023 e, aos poucos, assumiu uma fatia relevante que garantiria a ela influência sobre a gestão. A CVM alega que esse processo foi feito sem que informações fossem divulgadas corretamente ao mercado. Foi a partir da Getninjas que a Reag se tornou uma empresa listada em Bolsa.

A ré propôs em 2025 pagar R$ 300 mil para se livrar da acusação, por meio de um instrumento chamado termo de compromisso. A proposta foi rejeitada pela diretoria colegiada da CVM.

Em outro processo em que foi ré, a gestora conseguiu assinar um termo de compromisso com o pagamento de R$ 360 mil. Também réu, como diretor da Reag, Silvano Gertzel, pagou R$ 180 mil.

O processo investigou problemas de liquidez em fundos geridos pela Reag, que apresentavam saída de caixa superior ao valor de seus ativos líquidos.

Para a CVM, as investigações evidenciaram um "grave problema nos mecanismos de gerenciamento de liquidez utilizados pelas administradoras, que não conseguiam prestar informações confiáveis, colocando em dúvida a robustez e a acurácia dos seus procedimentos e controles de gestão de liquidez".

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