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Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort no Paraná: 'Sócio? Olha minha casa'
Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort no Paraná: 'Sócio? Olha minha casa'
Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná por R$ 3 milhões
Por Pedro Augusto Figueiredo/Taba Benedicto/Estadão
21/01/2026 às 20:15
Atualizado em 21/01/2026 às 23:32
Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli
A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.
O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.
O jornal O Estado de São Paulo foi até o endereço, obtido na Junta Comercial de São Paulo, e encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada pela reportagem, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.
José Eugênio, que é engenheiro eletricista, estava viajando a trabalho, segundo ela. O Estadão o procurou por mensagem, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem.
“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse Cássia ao ser questionada sobre a participação do marido na Maridt e da empresa no resort de luxo.
Os irmãos Toffoli venderam metade da participação que tinham no resort, de R$ 6,6 milhões, para um fundo do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação.
Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.
“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.
Ao ser questionada se o marido já havia comentado algo sobre o Tayayá Resort, a cunhada de Dias Toffoli respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.
A casa em que ela atendeu à reportagem foi comprada por R$ 27 mil em 1998 e financiada pela Caixa Econômica Federal. Corrigido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), comumente usado no mercado imobiliário, o valor atual é de R$ 276 mil.
“Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, disse Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos".
A Maridt é uma sociedade anônima, o que significa que seu quadro societário é sigiloso na Junta Comercial. Porém, o e-mail associado ao registro Maridt remete às iniciais de José Eugênio: “jedtoffoli”. Além disso, documentos da Junta Comercial mostram que ele assina como presidente na venda de parte das cotas que a empresa detinha na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, donas do resort e que também tiveram como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.
As vendas das participações da companhia na Tayayá Administração e na DGEP se deram, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil, em fevereiro de 2025, marcando a saída completa da Maridt das empresas do resort. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa - que já advogou para a JBS em causas tributárias.
A operação com o cunhado de Vorcaro
Em 2021, a Maridt já havia vendido fatias nas duas empresas do resort. Na época, o comprador foi o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e que pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões nas duas empresas dos familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela Polícia Federal.
Atualmente, nem o Arleen nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O fundo, o primo e os irmãos do ministro cederam suas cotas para Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas do resort. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro Dias Toffoli ainda frequenta o Tayayá.
Padre irmão de Toffoli: ‘Até logo, passar bem’
Além de José Eugênio, José Carlos, outro irmão do ministro, também já apareceu em documentos oficiais como presidente da Maridt. Ele é cônego da Diocese de Marília, mas, desde que a ligação com o Tayayá veio a público, em 2021, ele foi afastado da paróquia pela qual era responsável.
A reportagem também foi até a residência do padre, uma chácara chamada Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia.
“Até logo, passar bem”, disse pelo interfone após a reportagem se identificar. O local conta com um pequeno campo de futebol, uma rede de vôlei e um deck externo à casa.
No caminho para se chegar ao condomínio está a Avenida Luiz Toffoli, batizada com o nome do pai do ministro do STF.
Leia também: Toffoli continua visitando resort que uniu fundo ligado a Daniel Vorcaro e parentes do ministro
