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Banco Pleno, de ex-Master, usa Credcesta para atrair investidor

Banco Pleno, de ex-Master, usa Credcesta para atrair investidor

Por Alexa Salomão e Júlia Moura/Folhapress

28/01/2026 às 06:53

Foto: Vaner Casaes/Arquivo/ALBA

Imagem de Banco Pleno, de ex-Master, usa Credcesta para atrair investidor

Augusto Lima

Ganhou força no mercado nos últimos dias a informação de que o Banco Pleno, ex-banco Voiter, busca um comprador. A instituição financeira pertence a Augusto Lima, investigado no caso do Banco Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro. À Folha a assessoria de imprensa do banco informou que a busca é por um parceiro.

"O Banco Pleno segue rigorosamente o plano de negócios aprovado pelo Banco Central e avalia oportunidades de parcerias estratégicas para o fortalecimento de sua operação", informou em nota.

Executivos do setor de crédito consignado afirmaram à reportagem, na condição de não terem o nome citado, que, para tornar o ativo mais atraente, a proposta é fazer um negócio casado. Quem eventualmente investir no Pleno também poderá atuar na operação do Credcesta, o cartão de benefício consignado.

O investidor teria de aportar ao menos R$ 1 bilhão. Pessoas que acompanham o setor estimam que o Pleno precisaria ainda de outros R$ 2 bilhões para operar com mais tranquilidade. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) também poderia ajudar no processo, por meio de uma linha emergencial de crédito ou subsidiando o negócio, de acordo com pessoas ouvidas pelas reportagem.

O BC (Banco Central) autorizou a venda da instituição para Lima em julho do ano passado. Quatro meses depois, o banqueiro foi preso na Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeita de fraudes na venda de carteiras do Master ao BRB (Banco Regional de Brasília). Ele foi solto e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Profissionais que acompanham a movimentação no segmento de crédito consignado afirmam que o negócio tem sido oferecido a muitos investidores, incluindo a J&F, holding da família Batista, dona da JBS.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista têm interesse em crescer no crédito consignado. O grupo contratou um dos maiores especialistas da área, Márcio Alaor, ex-BMG, e avalia aquisições. Com presença em 24 estados e 176 municípios, o Credcesta é visto como uma vantagem e seria um atalho nesta almejada expansão.

No entanto, o mesmo não se aplica ao Pleno, que é avaliado no mercado como problemático. Por determinação do BC, o Pleno está proibido de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para se financiar, conforme mostrou a Folha. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI ao fim de 2025.

Segundo as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o ex-Voiter tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Na outra ponta, porém, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs , que correspondiam a R$ 5,4 bilhões.

Sem se financiar pela emissão de novos CDBs, o pagamento de compromissos do banco fica mais difícil.

A J&F, porém, prefere se concentrar no IPO (oferta inicial de ações) do PicPay antes de avaliar qualquer outro ativo. À reportagem a assessoria de imprensa enviou nota afirmando que "o grupo J&F não tem interesse em nenhum dos ativos mencionados".

Os problemas do Pleno o acompanham há anos, desde a época em que o nome era Indusval e tinha outros controladores. Voltado ao financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações em meio a prejuízos. Em 2019, passou a se chamar Voiter, num plano de transformação digital.

Sem sucesso, a Capital Consig fez uma oferta para adquirir o Voiter em 2023. A operação não foi para frente e, em fevereiro de 2024, o Master levou a instituição.

Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do Voiter para Lima, que mudou o nome da instituição para Pleno.

A assessoria de imprensa do Pleno também reforçou à reportagem que a instituição é devidamente autorizada a funcionar pelo BC, cumpre integralmente todos os requisitos do CMN (Conselho Monetário Nacional (CMN), comprovando capacidade técnica e financeira, reputação ilibada de seus controladores e origem lícita dos recursos.

"Desde o início de suas atividades, a exposição do Banco Pleno ao FGC vem sendo reduzida, em linha com a evolução de sua estrutura operacional e de capital", disse a nota. O texto ainda destaca que o Pleno não é alvo de qualquer investigação, processo ou questionamento de órgãos reguladores, e atua dentro da legislação vigente.

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