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Em derrota para Trump, democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado, apontam projeções
Em derrota para Trump, democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado, apontam projeções
Por Isabella Menon, Mayara Paixão e Gabriel Barnabé/Folhapress
04/11/2026 às 07:10
Foto: Reprodução/Arquivo/Instagram
Donald Trump
O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso americano nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) nos Estados Unidos, segundo projeções da imprensa local. Com a contagem dos votos em andamento, a oposição ao presidente Donald Trump obteve 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, os democratas já garantiram ao menos 54 dos 100 assentos.
Milhões de eleitores votaram nestas midterms, as eleições de meio de mandato, que devem mudar o equilíbrio de forças legislativas pelo resto do governo Trump. Com o indício de uma grande derrota para os republicanos, o presidente afirmou em sua rede social que seu nome não estava nas cédulas, mas que, se estivesse, seu partido teria vencido "de lavada".
Ainda na noite desta terça, Trump declarou ao The New York Times estar "absolutamente disposto a aceitar esses resultados" e preparado para trabalhar com a oposição. "Vamos trabalhar com os democratas e, sabe, estamos ansiosos para trabalhar com eles", afirmou. "Provavelmente chegaremos a um entendimento."
No Senado, a margem para a vantagem dos democratas era pequena. O partido precisava defender todas as cadeiras que já ocupava antes da eleição e conquistar pelo menos dois estados que votaram massivamente em Trump em 2024: Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Ohio, Carolina do Sul e Texas foram cotados como os mais decisivos.
No Texas, houve sucesso: o democrata James Talarico, 37, conquistou uma cadeira pelo estado tradicionalmente republicano, após décadas de derrotas. Seu adversário, o procurador-geral republicano Ken Paxton, 63, recebeu centenas de milhões de dólares em doações do empresário Elon Musk.
Em Ohio e no Kansas, as disputas também favoreceram os democratas, com Sherrod Brown derrotando Jon Husted, e Adam Hamilton vencendo Roger Marshall, respectivamente. Em ambos os casos, os republicanos derrotados tentavam a reeleição.
Em Iowa, o democrata Josh Turek venceu a republicana Ashley Hinson e conquistou a cadeira até então ocupada pela também republicana Joni Ernst, que não tentou a reeleição.
Na Carolina do Sul, outra surpresa confirmada. O estado, ao longo da campanha, passou de "republicano sólido" para "tendência republicana", segundo pesquisas. Um democrata não era eleito para o Senado no estado desde 1998 e, neste pleito, a democrata Annie Andrews venceu a cadeira que disputava com a republicana Darline Graham.
Não somente entre os previsivelmente acirrados, os democratas ainda angariaram desfechos inesperados. O partido conquistou uma vitória importante na Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper derrotou o republicano Michael Whatley, apoiado por Trump, e garantiu ao partido uma cadeira no Senado até então ocupada pelos republicanos.
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John Sununu e manteve com os democratas a cadeira deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar. Pappas será o primeiro homem abertamente gay a integrar o Senado americano.
O histórico das midterms joga contra os republicanos de Trump: o partido do presidente em exercício perdeu espaço no Congresso em todas as eleições de meio de mandato desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção de duas ocasiões. A aprovação de Trump está próxima de seus piores índices, em meio à insatisfação dos eleitores com a guerra contra o Irã, a alta dos combustíveis e o aumento do custo de vida.
As pesquisas realizadas nas últimas semanas não deixaram dúvida de que a eleição gira em torno da popularidade de Trump. Em declarações nesta terça, aparentemente destinadas a conquistar eleitores insatisfeitos com o apoio americano a Israel, o presidente afirmou que pretende interromper o repasse anual de US$ 3,8 bilhões ao país. Não ficou claro, no entanto, como fará isso, visto que a assistência é prevista por lei que só expira em 2028.
A estreita aliança entre os países é um dos principais temas da disputa em Michigan. O democrata Abdul El-Sayed, 42, que, se eleito, se tornará o primeiro senador muçulmano dos EUA, faz duras críticas a Israel. Liderados por Trump, republicanos têm retratado Sayed e outros candidatos democratas como radicais, antiamericanos e comunistas. Os candidatos rejeitam as acusações, que classificam de exageros típicos do presidente.
Trump tentou mobilizar sua base com mais de 20 de comícios desde o início de outubro, a maioria em estados que venceu com facilidade em 2024.
Pesquisas de opinião mostram que a principal preocupação dos eleitores é o custo de vida, tema em que a avaliação do presidente é negativa. As tarifas impostas por Trump sobre produtos importados, muitas posteriormente derrubadas pela Justiça, e a decisão de atacar o Irã, em fevereiro, contribuíram para elevar os preços.
Problemas em máquinas de leitura de cédulas de papel foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo condados da Geórgia, Iowa, Mississippi e Nova York. As falhas atrasaram a votação e a apuração.
Falhas isoladas em equipamentos de votação não são incomuns, e especialistas eleitorais afirmam que sistemas de reserva e outras medidas de segurança fazem com que essas ocorrências raramente afetem os resultados.
O Departamento de Justiça do país informou ter mobilizado 1.000 fiscais e observadores eleitorais nos 50 estados, no que classificou como a maior operação de monitoramento de um dia de votação da história do país.
Democratas criticaram a iniciativa, afirmando que ela pode intimidar votantes. Uma análise da agência Reuters identificou que, em cerca de dois terços das jurisdições listadas pelo departamento, os eleitores haviam votado na democrata Kamala Harris contra Trump na eleição presidencial de 2024.
