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Jerônimo Rodrigues deve aguardar conversa com Lula para iniciar mudanças em secretarias

Jerônimo Rodrigues deve aguardar conversa com Lula para iniciar mudanças em secretarias

Por Política Livre

03/11/2026 às 16:40

Foto: Reprodução/Flickr

Imagem de Jerônimo Rodrigues deve aguardar conversa com Lula para iniciar mudanças em secretarias

O governador Jerônimo Rodrigues (PT)

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de iniciar as tratativas com partidos e lideranças políticas sobre a reforma que planeja implementar no secretariado para o segundo mandato. Com isso, o chefe do Executivo estadual espera saber, antes de anunciar nomes, quais quadros da Bahia serão chamados para ocupar ministérios ou outros cargos federais.

O diálogo com o presidente ainda não tem data confirmada e pode ocorrer somente depois da viagem de Lula à Turquia, onde será realizada, entre 9 e 20 de novembro, a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), na cidade de Antália.

Até o retorno do presidente, Jerônimo deverá fazer sondagens sobre a reforma. Até agora, nenhum presidente de partido consultado por este Política Livre confirmou ter tratado do assunto com o governador.

"Está muito cedo ainda, por isso não conversei (com o governador), não. Deixamos ele sempre à vontade para que tome as decisões. E nós seguiremos sempre ajudando o governo na Assembleia Legislativa, aprovando os projetos", disse ao site o presidente do PSD na Bahia, senador Otto Alencar.

Principal aliado do PT no Estado, o PSD ocupa atualmente o comando de duas secretarias: a de Infraestrutura (Seinfra), com Saulo Pontes, ex-superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na Bahia; e a de Desenvolvimento Urbano (Sedur), com Joaquim Neto, ex-prefeito de Alagoinhas, que ajudou na reeleição da esposa, Ludmilla Fiscina (PSD), para a Assembleia Legislativa.

Os dois substituíram, respectivamente, o deputado federal Sérgio Brito, que renovou o mandato nas eleições deste ano, e a deputada estadual Jusmari Oliveira, que não conseguiu a reeleição e ficará "desempregada" a partir de janeiro de 2027. Ainda no PSD, vale lembrar que o governador já sinalizou a intenção de aproveitar na administração o deputado federal Paulo Magalhães, derrotado em outubro após sete mandatos.

Outros deputados federais que não conseguiram a reeleição e com quem o governador deverá conversar são Lídice da Mata (PSB), que poderá ocupar uma secretaria na Bahia ou um cargo no governo Lula; Bacelar (PV), cujo irmão, Maurício Bacelar, comanda a Secretaria do Turismo no governo baiano; Waldenor Pereira (PT), que tem em Vitória da Conquista seu principal reduto eleitoral; e Zé Neto (PT), representante de Feira de Santana.

Entre os derrotados na disputa pela Assembleia Legislativa estão, além de Jusmari, os deputados estaduais Antonio Henrique Júnior (PV), Laerte do Vando (Avante), Luciano Araújo (Avante), Felipe Duarte (Avante), Pancadinha (PDT), Patrick Lopes (Avante) e Matheus Ferreira (MDB), filho do vice-governador Geraldo Júnior. O eventual aproveitamento desses parlamentares no governo deverá levar em consideração as indicações partidárias.

O Avante, por exemplo, estuda reivindicar uma secretaria mais robusta do que a de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), atualmente comandada por Vivaldo Góis de Oliveira, indicado pelo presidente estadual da legenda, Ronaldo Carletto, suplente do senador eleito Rui Costa (PT). O partido ampliou sua bancada federal de dois para três deputados, mas reduziu a representação na Assembleia de sete para cinco parlamentares.

Além disso, parlamentares da sigla não querem o retorno de Pablo Barrozo, vice-presidente estadual do Avante, ao comando da Seagri. Nos bastidores, a tendência apontada é que um dos deputados derrotados em outubro seja indicado para a pasta.

Mudanças cogitadas - Em entrevista recente ao jornal A Tarde, Jerônimo sinalizou que poderá promover mudanças em três secretarias: Segurança Pública (SSP), comandada por Marcelo Werner, nome de sua confiança; Saúde (Sesab), chefiada por Roberta Santana, ligada ao PT; e Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), liderada por José Castro, indicado pelo MDB.

Marcelo Werner

Marcelo Werner


Caso decida substituir Werner, a expectativa é de que o governador escolha outro nome com perfil técnico para a Segurança Pública. Na Saúde, dificilmente Jerônimo entregará o comando da pasta a um partido diferente do PT. Já para a Seap, o nome apontado nos bastidores é o de Jayme Vieira Lima (MDB), primo dos irmãos Vieira Lima.

Jayme deixou a presidência da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb) para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Recebeu mais de 115 mil votos, mas não conseguiu se eleger.

Desde o fim do segundo turno das eleições, Jerônimo promoveu mudanças em apenas duas secretarias, reconduzindo Adolpho Loyola (PT) ao comando da Secretaria de Relações Institucionais (Serin) e Fabya Reis (PT) à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades).

Entre as primeiras lideranças que o governador deverá ouvir sobre a composição do novo primeiro escalão estão o senador Jaques Wagner (PT) e o senador eleito Rui Costa, ambos com influência sobre indicações feitas no primeiro governo.

Nomes dos senadores - Entre os nomes ligados a Wagner está Eduardo Sodré, titular da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e enteado do senador. Sodré teve seu nome mencionado em notícias relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. Apesar do desgaste provocado pelo episódio, a avaliação nos bastidores é de que Jerônimo poderá mantê-lo no cargo, evitando que uma eventual exoneração seja interpretada como reconhecimento de responsabilidade.

Rui Costa e Jaques Wagner

Rui Costa e Jaques Wagner


Outro integrante histórico da equipe de Wagner é Manoel Vitório, secretário da Fazenda (Sefaz), que ocupa cargos no primeiro escalão estadual desde o início do primeiro governo do hoje senador, em 2007. Jerônimo tem sinalizado que pode designar Vitório para outra missão na gestão.

Wagner também teve influência na escolha de Bruno Monteiro, ex-assessor do senador, para a Secretaria de Cultura (Secult). Bruno deixou o cargo para atuar na campanha de reeleição de Jerônimo e ainda não retornou à pasta. Nos bastidores, é cotado para assumir a Secretaria de Comunicação (Secom) no segundo mandato.

Já Rui Costa busca ampliar sua participação na composição do novo governo. O senador eleito mantém influência sobre quadros que integraram sua administração, como o secretário do Planejamento, Cláudio Peixoto, e o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), José Trindade.

Rui também articula a indicação do aliado Marcus Cavalcanti, que comandou a Secretaria de Infraestrutura (Seinfa) durante seu governo e posteriormente trabalhou com ele na Casa Civil da Presidência da República. Cavalcanti é cotado para substituir Manoel Vitório na Fazenda, embora também seja mencionado para outros postos.

Vale lembrar que Rui indicou a esposa Aline Peixoto para uma vaga no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), em 2023, no início do governo de Jerônimo. O ex-governador também mantém ligação política com André Curvello, que comandou a Comunicação estadual e deixou o cargo.

Rui Costa também está de olho no comando da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), como já revelou este Política Livre.

Outros espaços - Há outros espaços em jogo no novo governo de Jerônimo. O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), ex-secretário de Relações Institucionais, pretende participar das indicações para o secretariado. Como argumento político, apresenta o resultado das eleições de outubro, quando seu grupo elegeu a deputada federal Ivoneide Caetano (PT), sua esposa, e os deputados estaduais Tagner Cerqueira (PT) e Júnior Muniz (PT).

Luiz Caetano

Luiz Caetano


Partidos como PDT e PCdoB também esperam ser ouvidos sobre a reforma. No caso dos pedetistas, uma das possibilidades discutidas é a nomeação de um dos deputados estaduais eleitos para uma secretaria, abrindo vaga na Assembleia para o suplente Rafael Meireles, filho do prefeito de Cairu, Hildécio Meireles (União). A pasta atualmente vinculada ao PDT é a de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).

O PCdoB espera, ao menos, preservar os espaços que já ocupa no governo. A legenda comanda as secretarias do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), com Augusto Vasconcelos, vereador de Salvador que não concorreu à reeleição; e de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), com Ângela Guimarães.

O PSB, que controla a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), comandada por João Carlos Oliveira da Silva, reelegeu apenas um deputado federal, Mário Negromonte Júnior, e ficou sem representantes na Assembleia Legislativa. O espaço da legenda no novo governo dependerá também do destino político de Lídice da Mata.

O PV, que integra a federação Brasil da Esperança com PT e PCdoB, também aguarda ser contemplado com uma secretaria. A pasta de Turismo, comandada por Maurício Bacelar, não é considerada uma indicação da direção partidária, mas um espaço ligado ao irmão dele, o deputado federal Bacelar, derrotado na tentativa de reeleição. Atualmente, o partido tem influência sobre o Instituto Anísio Teixeira (IAT), órgão vinculado à Secretaria da Educação.

"Me lembro que no primeiro mandato dele (de Jerônimo), ele começou essas tratativas (sobre cargos) no final de novembro para início de dezembro. Então estamos no aguardo dessa conversa. Vamos ouvir o que o governador tem a nos dizer. Antes, ele havia me dito que não trataria disso com ninguém durante o segundo turno da eleição presidencial, que já passou", declarou o presidente do PV na Bahia, Ivanilson Gomes.

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