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Wagner Moura e outros votantes brasileiros do Oscar pedem atenção às eleições em carta

Wagner Moura e outros votantes brasileiros do Oscar pedem atenção às eleições em carta

Por Folhapress

10/10/2026 às 15:20

Foto: Reprodução

Imagem de Wagner Moura e outros votantes brasileiros do Oscar pedem atenção às eleições em carta

Em uma carta conjunta divulgada neste sábado (10) pela revista Variety, 58 membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, entre eles o ator Wagner Moura, os cineastas Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles e o produtor Rodrigo Teixeira, se dizem preocupados com os possíveis desdobramentos do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.

O texto cita propostas de Flávio Bolsonaro (PL) de reescrever a Constituição, o desmonte da cultura sob o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Aborda ainda o caso, revelado pela Folha, da criptomoeda B22, que oferecia tokens a quem divulgasse conteúdos que incentivassem o voto em Flávio e dizia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda.

"Sob a administração anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e as acusações de censura. Tememos um retorno a esse cenário", diz o texto.

"Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são inseparáveis da defesa da democracia."

Menciona ainda os planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, noticiados pelo The Guardian, sob a acusação de que a corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil.

A carta, assinada também por nomes como Alice Braga, Anna Muylaert, Daniel Filho, Lais Bodanzky, Lucy Barreto, Sônia Braga e outros, pede maior atenção internacional ao pleito no país.

"Consideramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, depender não apenas do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também da vigilância e do engajamento da comunidade internacional."

Leia a íntegra da carta e veja a lista completa dos signatários da carta abaixo.

Nós, profissionais do cinema brasileiro, aqui reunidos como membros brasileiros da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, em Hollywood, expressamos nossa preocupação com o atual momento político do Brasil e pedimos atenção ao segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro.

A diferença entre os candidatos no primeiro turno foi de 1,87%. O país está, portanto, dividido. Observamos, no entanto, sinais preocupantes de desrespeito às regras democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil, que merecem apuração transparente e repercussão internacional:

O jornal The Guardian revelou que o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão, provenientes de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, a um programa chamado "Countering Lawfare and Censorship in Brazil".

Ao mesmo tempo, observadores da mídia apontam possíveis distorções no alcance de conteúdos políticos nas plataformas da Meta e pedem investigação. Entre os casos mencionados estão os perfis do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram, que teriam sofrido quedas de alcance, dificuldades de acesso e problemas de visualização nos mecanismos de busca, além da impossibilidade de impulsionar publicações. Outro caso envolve um site de origem norte-americana que promove a compra de anúncios em favor do candidato Bolsonaro em troca de tokens de criptomoedas, sob a promessa de ajudar crianças carentes em Uganda. A Polícia Federal investiga, ainda, suspeitas de compra de votos em dinheiro vivo em regiões rurais.

Merecem também atenção algumas propostas do candidato Flávio Bolsonaro, entre elas a de reescrever a Constituição de 1988, que marca o fim da ditadura militar e a restauração da democracia no Brasil. Segundo o candidato, a nova Constituição seria elaborada por um Congresso dominado por uma maioria de extrema direita. Essa declaração causa especial preocupação diante da tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. O plano incluía o assassinato do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e de seu vice, Geraldo Alckmin. Jair Bolsonaro está preso em decorrência desse caso, enquanto seu filho promete anistiá-lo como primeiro ato de governo.

Nossa preocupação aumenta diante da forma como grande parte da mídia brasileira tem normalizado esses fatos, sem abordar com a devida seriedade as acusações que pesam contra Flávio Bolsonaro e os crimes atribuídos a seu pai. Além da tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, em razão das mais de 600 mil mortes por COVID-19 ocorridas durante a pandemia, em meio a atos e omissões de seu governo. A denúncia sustenta que mais da metade dessas mortes poderia ter sido evitada.

Seu governo também foi associado ao retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU. Agora, seu filho promete cortes no orçamento da seguridade social inspirados na política de austeridade do governo de Javier Milei, na Argentina. A omissão ou a relativização desses fatos contribui para a desinformação pública e enfraquece a defesa da democracia.

Como profissionais da cultura, conhecemos o custo dessas políticas de austeridade para o nosso setor. Durante o governo anterior, o audiovisual brasileiro sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a paralisação do Fundo Setorial do Audiovisual, o enfraquecimento de instituições e denúncias de censura. Tememos que esse cenário se repita. A proteção da liberdade de expressão e a sustentabilidade da indústria audiovisual brasileira são inseparáveis da defesa da democracia.

Entendemos o processo em curso no Brasil como parte de um contexto mais amplo de interferência eleitoral em outros países da América Latina. Assim, a defesa da democracia brasileira deve ser conduzida não apenas pelo povo brasileiro, por meio de eleições justas e íntegras, mas também com a atenção e o acompanhamento da comunidade internacional.

Pedimos à imprensa internacional que acompanhe o processo com rigor, à indústria audiovisual internacional que amplifique o debate e às instituições competentes que investiguem as denúncias de forma independente.

- Adrian Teijido
- Alê Abreu
- Alice Braga
- Andrea Barata Ribeiro
- Anita Rocha da Silveira
- Anna Muylaert
- Anna Van Steen
- Bernardo Uzeda
- Carlos Segundo
- Carolina Markowicz
- Claudia Kopke
- Daniel Filho
- Daniel Rezende
- Daniela Thomas
- Eduardo Serrano
- Eliza Capai
- Emilie Lesclaux
- Emilio Domingos
- Fernando Meirelles
- Flávia Amon
- Flávia de Souza
- Gabriel Domingues
- Gabriel Mascaro
- Helena Solberg
- Heloisa Passos
- Ilda Santiago
- Jefferson De
- Jorge Bodanzky
- José Joffily
- Juliana Rojas
- Karen Akerman
- Karen Harley
- Karim Ainouz
- Kleber Mendonça Filho
- Lais Bodanzky
- Lucy Barreto
- Maeve Jinkings
- Marcelo Caetano
- Maria Augusta Ramos
- Mariana Oliva
- Matheus Farias
- Miriam Biderman
- Otto Guerra
- Paula Barreto
- Pedro Kos
- Petra Costa
- Plínio Profeta
- Renata Almeida Magalhães
- Rodrigo Teixeira
- Sara Silveira
- Sônia Braga
- Tatiana Leite
- Thales Junqueira
- Vânia Catani
- Vera Hamburger
- Wagner Moura
- Waldir Xavier
- Wilssa Esser

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